Promotor diz que pai e madrasta 'mataram a menina'

Cembranelli afirmou que há provas de que houve desentendimento, seguido de agressões a Isabella

da Redação, estadao.com.br

06 de maio de 2008 | 15h14

"Os dois mataram a menina", disse nesta terça-feira, 6, em entrevista coletiva, o promotor Francisco Cembranelli, se referindo ao casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella Nardoni, de 5 anos, morta em 29 de março. Eles foram denunciados à Justiça por homicídio doloso triplamente qualificado - meio cruel, vítima sem possibilidade de defesa e para garantir a impunidade de delito anterior. Há também uma acusação de fraude processual contra o casal e, segundo o promotor, "eles irão responder por isso também".   VEJA TAMBÉM 'Nada muda' na defesa do casal Nardoni, dizem advogados Defesa duvida de prisão preventiva de casal Nardoni Fotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella     Cembranelli afirmou que concorda plenamente com o resultado do inquérito policial da investigação sobre a morte de Isabella. O promotor também pediu ao juiz a prisão preventiva de Nardoni e Anna Carolina. A prisão preventiva, argumenta o promotor, foi pela necessidade de garantir a ordem pública" e pelo "reprovável comportamento social dos denunciados". As agressões à menina, afirmou o promotor, começaram após uma discussão acalorada entre o casal. "Há provas contundentes de que houve desentendimento, seguido de agressões a Isabella." A briga teria começado já no carro, onde, segundo Cembranelli, há marcas "irrefutáveis" de sangue.   Essas brigas do casal, de acordo com o promotor, eram freqüentes e causadas por um suposto ciúmes de Anna Jatobá pela mãe da menina, Ana Carolina de Oliveira. Segundo ele, as discussões ocorriam especialmente nos finais de semana que Isabella passava com o pai e os meio irmãos Cauã e Pietro, no apartamento da família. As brigas, disse Cembranelli, eram acompanhadas pelas crianças.   O promotor acredita que o menino mais velho, Pietro, assistiu as agressões a Isabella, asfixiada e jogada pela janela do 6º andar do prédio onde morava a família. Apesar disso, o promotor disse que não "há necessidade de uma oitiva da criança", mas ressaltou que isso "vai ficar a critério do Poder Judiciário".   Além disso, o promotor do Ministério Público disse que o casal Nardoni tem "um perfil bastante conturbado". "Eles tinham uma relação de difícil convivência. São pessoas com perfil agressivo", comentou. E isso, somado a morte de Isabella, traria perigo para os outros dois filhos do casal. "O passado entre pais e filhos traz a possibilidade de as crianças estarem agora correndo risco. Afinal uma filha de Alexandre está morta", disse Cembranelli, se referindo aos dois meio irmãos de Isabella.     Denúncia e julgamento   "Mais de sessenta pessoas foram ouvidas, os laudos têm extrema qualidade. Os requisitos necessários me autorizaram a sustentar isso para o Poder Judiciário. Há os indícios do crime. Os fatos estão devidamente descritos. Eu trabalho com fatos. Temos provas contundentes que há divergências entre o casal. Temos provas documental quanto a isso", disse o promotor.   A denúncia contra Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, foi apresentada no início da tarde. No documento de 12 páginas entregue ao juiz do 2º Tribunal do Júri, Maurício Fossen, o promotor afirma que Anna Carolina esganou Isabella e Alexandre a jogou de uma altura de 20 metros, da janela do 6º andar do edifício na zona norte de São Paulo onde a família morava.   Fossen, do Fórum de Santana, tem cinco dias para decidir se aceita o pedido de prisão preventiva e abre o processo contra o casal. Cembranelli pediu a intimação de 16 testemunhas, entre elas Ana Carolina de Oliveira, mães de Isabella, Rosa Maria Cunha de Oliveira, avó da menina, a delegada assistente do 9º Distrito Policial, Renata Pontes, e um policial militar, além dos peritos.   Para o promotor Francisco Cembranelli, a prisão do casal Nardoni daria "uma tranqüilidade ao andamento do processo de julgamento", o que não aconteceria caso Alexandre e Anna Jatobá permaneçam livres.   (Colaborou Carolina Freitas, da Agência Estado)   Texto atualizado às 17 horas

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