Promotor russo pede prisão para integrantes da banda Pussy Riot

Um promotor federal russo pediu nesta terça-feira pena de prisão de 3 anos para três mulheres da banda punk Pussy Riot, dizendo que elas haviam ofendido a Deus quando invadiram o altar de uma catedral de Moscou e cantaram uma "oração de protesto" contra os estreitos laços da Igreja Ortodoxa da Rússia com o então primeiro-ministro Vladimir Putin - atual presidente do país.

MARIA TSVETKOVA, Reuters

07 de agosto de 2012 | 14h42

O caso, em que as três são acusadas de vandalismo motivado por ódio religioso, indignou muitos fiéis ortodoxos russos.

Mas o caso também tem causado clamor internacional e chamado a atenção para a repressão aos dissidentes desde que Putin voltou à Presidência para um mandato de seis anos, em 7 de maio.

"As ações das cúmplices mostram claramente o ódio religioso e inimizade", disse o promotor federal Alexei Nikiforov na argumentação final, acompanhado por advogados das mulheres, amigos e familiares no tribunal minúsculo.

"Houve zombaria verdadeira e humilhação dirigida às pessoas na igreja", disse ele.

As rés pareciam pálidas e cansadas, sentadas silenciosamente em uma gaiola de vidro e metal na corte, duas delas rabiscando notas.

O advogado delas disse que o pedido de uma sentença de prisão foi desproporcional e vergonhoso.

Nikiforov não pressionou o tribunal pela sentença máxima de 7 anos. Putin disse na semana passada que Maria Alyokhina, 24, Nadezhda Tolokonnikova, 22, e Yekaterina Samutsevich, 29, não tinham feito "nada de bom", mas não deveriam ser julgadas muito severamente.

Mas o promotor ignorou os apelos da oposição e de grupos de direitos humanos para não pedir pena de prisão pelo protesto, em que o trio, vestindo balaclavas e vestidos curtos, invadiu a Catedral do Cristo Salvador e cantou uma música pedindo à Virgem Maria para livrar a Rússia de Putin.

"Usar palavrões em uma igreja é uma ofensa a Deus", disse Nikiforov.

Ele rejeitou o argumento das rés de que o protesto não tinha a intenção de ofender os crentes e tinha como objetivo enfatizar o apoio da Igreja a Putin.

"O insulto não é a Putin, mas ao grupo social de cristãos ortodoxos", afirmou ele.

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