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Promotoria descreve horrores de Srebrenica em julgamento de Mladic

General ouviu acusações de costas para o público, depois de ter feito gesto ameaçador no primeiro dia

IVANA SEKULARAC, REUTERS

17 Maio 2012 | 17h23

HAIA - Promotores envolvidos no julgamento do general sérvio Ratko Mladic descreveram nesta quinta-feira, 17, cinco dias de terror na cidade bósnia de Srebrenica, durante o massacre de mais de 8.000 homens e meninos muçulmanos desarmados, cometido por tropas sob o comando dele em julho de 1995.

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Mladic, de 70 anos, ouviu as acusações de costas para o público, um dia depois de ser advertido por fazer um gesto ameaçador para a plateia, passando a mão sobre a garganta.

O massacre de Srebrenica, parte da guerra que levou à independência da Bósnia (1992-95), foi a pior atrocidade na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. O fato mobilizou as potências ocidentais para que bombardeassem as forças servo-bósnias, apressando o fim do conflito.

"Isso foi e continuará sendo genocídio", disse o promotor Peter McCloskey, mostrando granuladas imagens de corpos em frente a um galpão onde cerca de mil presos foram abatidos. "A evidência deste crime é avassaladora ... Vamos focar em vincular o general Mladic e seus homens ao crime."

Mas sobreviventes temem que Mladic, que segundo seus advogados já sofreu três derrames e um infarto, morra antes de ser sentenciado pelo Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia, assim como aconteceu com o ex-dirigente sérvio Slobodan Milosevic.

A defesa alegou que a promotoria não apresentou adequadamente as acusações, e solicitou um adiamento de seis meses antes da próxima etapa do julgamento. Os juízes acataram a tese da defesa, mas não se manifestaram sobre o adiamento.

A promotoria diz que o massacre foi parte de um plano estratégico de limpeza étnica, concebido por Milosevic e pelo líder servo-bósnio Radovan Karadzic.

Entre as 11 acusações imputadas a Mladic estão as de genocídio, homicídio, estupro, cárcere privado e terrorismo. Elas dizem respeito também aos 43 meses de cerco a Sarajevo, em que 10 mil pessoas morreram, e ao estabelecimento de brutais campos de prisioneiros. Assim como Karadzic, que também está sendo julgado no tribunal de Haia, Mladic pode ser sentenciado à prisão perpétua.

McCloskey disse que a promotoria pretende convocar várias testemunhas, inclusive 11 sobreviventes do massacre, e também verdugos do Exército servo-bósnio. "Em apenas cinco dias, as forças de Radovan Karadzic e Ratko Mladic expeliram a população de Srebrenica e Zepa e assassinaram mais de 7.000 homens e meninos muçulmanos", afirmou.

Segundo ele, quase 6.000 corpos foram retirados de valas comuns e de locais secundários de zonas montanhosas, onde os cadáveres foram enterrados novamente em uma tentativa de ocultá-los. Seus restos têm sido identificados por exames de DNA.

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