Proposta de bombear água de bairro alagado é inviável

Técnicos descartaram ideia de Kassab; 'única solução', segundo subprefeito, é remoção, que deve começar hoje

Ana Bizzotto, O Estadao de S.Paulo

17 Dezembro 2009 | 00h00

Um dia após dizer que a Prefeitura usaria bombas para drenar a água dos sete bairros do distrito Jardim Helena, na zona leste, alagados há nove dias, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) admitiu ontem que a sucção da água e do esgoto não poderá ser feita. "Chegamos à conclusão de que está muito difícil a retirada dessa água encalhada, porque, na medida em que você retirar essa água, vai voltar a ter mais água", afirmou Kassab à TV Globo, em visita ao Jardim Romano, um dos mais afetados na várzea do Rio Tietê, onde choveu à tarde.

Kassab concluiu pela inviabilidade da proposta após reunião com técnicos da Prefeitura e do governo do Estado. "Não há nenhum desnível que ofereça alternativa de bombeamento. As casas estarão sempre sujeitas a inundações. Nenhuma solução técnica é viável para resolver o problema", justificou o subprefeito de São Miguel Paulista, Milton Persoli.

A "única solução", segundo ele, é o cadastramento e a remoção imediata das famílias, que terá início hoje na Vila das Flores e, depois, no Jardim Romano. Até 7 mil famílias serão transferidas, para acelerar obras do Parque Várzeas do Tietê. Moradores da Vila das Flores disseram que só vão concordar com a mudança se tiverem garantia de moradia definitiva. "Se tentarem nos levar (para alojamento), vamos subir na laje ou acampar na rua. Se vão nos tirar, tem de dar moradia digna", afirmou a diarista Maria Pastorino, de 44 anos.

A desempregada Igma dos Santos, de 34 anos, dorme há uma semana com a família na casa de amigos. "A água chegou ao pescoço. Agora baixou, mas o cheiro de esgoto é muito forte", relatou. No Jardim Romano, a auxiliar de limpeza Marlene Guedes, de 38 anos, atravessa a alagada Rua Capachós. "Tenho de trabalhar, então não há alternativa", afirma ela, que mora há 20 anos no local.

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