Proposta tenta criar política de ensino na floresta

"O que angustia é saber que o curumim da Resex (Reserva Extrativista) ou da RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) está estudando os mesmos currículos escolares que a pessoa da área urbana. Ele, na escola, não sabe por que tudo se transformou. O professor até fala da história, do tempo do patrão, da escravidão, mas, o curumim não consegue saber por que isso melhorou. Ele não sabe que o pai dele foi ameaçado de morte, para que aquilo acontecesse; que houve toda uma revolução."

O Estado de S.Paulo

30 Abril 2012 | 03h05

A frase, de Manoel Cunha, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, que ilustra o dilema educacional das populações ribeirinhas, é a justificativa de uma proposta apresentada no final do governo Lula de uma nova política de educação na floresta.

Inspirado no modelo adotado pela Fundação Amazonas Sustentável, o projeto elaborado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos visa à adoção de uma política educacional para populações extrativistas em toda a Amazônia.

Mas pouco avanço houve desde sua formulação. De acordo com a antropóloga Mary Allegretti, que coordenou o projeto, ele agora está incluído em uma proposta mais ampla de uma comissão interministerial, coordenada pelos Ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, que avalia várias questões de desenvolvimento sustentável das reservas.

"A grande dificuldade é unir o ensino universal com as especificidades desses povos. É preciso adequar os conteúdos em todos os níveis. E capacitar os professores de fora, que às vezes não entendem o que significa uma reserva." /G.G.

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