Protesto após punição a time deixa 1 morto e 18 feridos no Egito

Uma pessoa foi morta por um tiro e 18 ficaram feridas quando torcedores irados entraram em confronto com forças de segurança do Egito na cidade de Port Said, depois que seu clube foi banido dos jogos do campeonato por causa do pior desastre do país em estádios de futebol, informou uma fonte médica neste sábado.

REUTERS

24 Março 2012 | 11h07

A Associação de Futebol do Egito (EFA) proibiu o time, o al-Masry, de disputar duas temporadas como punição pela invasão de seu campo por fãs, que resultou na morte de 74 fãs no mês passado. Esse foi o incidente mais letal desde o início dos protestos que levaram à derrubada do presidente Hosni Mubarak, no ano passado.

A EFA ordenou o fechamento por três anos do estádio de Port Said, local dos tumultos que se seguiram à vitória do al-Masry sobre o Al Ahli, time do Cairo.

De acordo com testemunhas, a polícia militar disparou para o ar para dispersar centenas de fãs que protestavam diante do edifício da Autoridade do Canal de Suez, em Port Said. Os confrontos começaram na noite de sexta-feira e prosseguiram até as primeiras horas deste sábado.

"Centenas de fãs furiosos se chocaram com a polícia militar depois do anúncio da decisão", declarou uma testemunha.

"Um deles morreu atingido por um tiro nas costas e 18 ficaram feridos nos confrontos, dois deles em decorrência de balas", afirmou a fonte médica.

O porto de Port Said foi fechado na manhã deste sábado por causa dos protestos. Os navios que trafegam pelo Canal de Suez foram direcionados para uma rota secundária a leste da cidade, de acordo com fontes no porto e na Autoridade do Canal de Suez.

Testemunhas disseram à Reuters que muitas fábricas não abriram as portas, já que centenas de manifestantes bloquearam estradas de ligação com Port Said, cidade costeira do Mediterrâneo, impedindo assim a entrada de milhares de trabalhadores vindos de províncias vizinhas.

Num comunicado a EFA informou que as atividades futebolísticas do Masry seriam suspensas nas temporadas de 2011/12 e 2012/13 e o clube seria reconduzido à Primeira Liga Egípcia a partir de 2013/14.

Durante a invasão do campo, em fevereiro, as portas de aço do estádio foram trancadas, deixando presos os fãs que tentavam escapar dos tumultos. Dezenas morreram esmagados e pelo menos 1.000 pessoas ficaram feridas.

Muitos fãs culparam o governo por não ter enviado ao local policiais em número suficiente, considerando a tensão causada pelo jogo, e muitos egípcios acreditam que a violência tenha sido iniciada por criminosos.

Em 15 de março a Justiça indiciou 75 pessoas, incluindo nove autoridades do setor de segurança. Eles serão julgados pela violência no estádio. (Reportagem de Mohamed Abdellah e Yousri Mohamed)

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