Protesto por presos no 7 de setembro causa tumulto em BH

Um protesto em solidariedade às 15 pessoas que permanecem presas desde o feriado da Independência, em Belo Horizonte, levou a Polícia Civil mineira a cancelar a apresentação dos manifestantes detidos prevista para a manhã desta segunda-feira, 09.

ALINE RESKALLA, ESPECIAL PARA AE, Agência Estado

09 de setembro de 2013 | 19h14

Cerca de cem pessoas cercaram o prédio da 1ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), no Centro da capital mineira, onde as autoridades mostrariam os acusados e explicariam as prisões à imprensa. Não houve confrontos, mas o clima ficou tenso. Segundo o chefe do 1º Departamento da Polícia Civil, delegado Anderson Alcântara, a apresentação foi cancelada por questões de segurança.

O delegado informou que as 15 pessoas presas em flagrante serão enquadradas em crimes como formação de quadrilha, corrupção de menores, dano ao patrimônio e incitação à prática criminosa, além da constituição de milícia privada, que prevê reclusão de 4 a 8 anos. Segundo levantamento apresentado pela Polícia Civil nesta segunda-feira, parte deles tem passagem pela polícia por furto e porte de drogas. A corporação informou que um dos detidos, que se declarou integrante do grupo "Black Bloc", teria admitido que o objetivo nos protestos de sábado seria "quebrar toda a Praça da Liberdade".

No total, 37 adultos foram presos e 11 adolescentes apreendidos nos protestos do sábado. Ao lado do delegado Hugo e Silva, que coordenou os trabalhos de polícia judiciária no feriado, Alcântara explicou que, além dos 15 presos em flagrante, os demais foram devidamente identificados e respondem por crimes de menor poder ofensivo, embora tenham sido liberados.

O chefe de polícia disse ainda que outras pessoas registradas por vídeo e fotografias em atitudes suspeitas estão sendo investigadas.

"As prisões foram feitas com base em crimes previstos pelo Código Penal, e o nosso trabalho não termina aqui. As investigações continuam, e se verificarmos vínculos entre aqueles que foram liberados e os que tiveram o flagrante ratificado, novas prisões poderão ocorrer", afirmou o delegado Anderson Alcântara.

No protesto desta manhã, os manifestantes pediam a libertação dos detidos e acusaram exageros da polícia mineira. Um dos organizadores da ação de sábado, que pediu para não ter o nome divulgado, diz que um amigo teria sido preso por formação de quadrilha e porte de produto químico. Produto que, segundo ele, era para neutralizar o efeito do gás lacrimogêneo.

O delegado Hugo Silva afirmou que "todos os procedimentos da Polícia Civil foram acompanhados por integrantes do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) e da Defensoria Pública".

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