Protesto reúne 2 mil no Rio

Quatro dias após a manifestação que reuniu 300 mil pessoas e terminou em vandalismo e violência policial no centro do Rio, nesta segunda-feira um novo protesto na cidade reuniu cerca de 2.000 ativistas, que seguiram pela avenida Rio Branco, da Candelária à Cinelândia. O ato terminou por volta de 20h30 e não houve registro de brigas nem de vandalismo.

FÁBIO GRELLET E HELOÍSA ARUTH STURM, Agência Estado

24 de junho de 2013 | 21h00

Entidades que lideraram os protestos anteriores, como o Fórum de Lutas contra o Aumento da Passagem, não participaram do ato desta segunda, divulgado na internet pelos grupos Nova Era Brasileira e União contra a Corrupção (UCC). As reivindicações se multiplicaram: enquanto no início o movimento se unia pela redução do preço da tarifa municipal de ônibus (medida atendida na última quinta-feira, 19), nesta segunda a primeira faixa carregada pelos manifestantes reunia seis reivindicações ou alvos de protesto: "Mais educação", "Mais saúde", "Não à PEC 37", "R$ 200 bilhões por ano é o custo da corrupção no Brasil", "Partidos não nos representam" e "Mais de R$ 6 bilhões por ano é o custo dos deputados e senadores do Brasil".

Outros grupos pediam a cassação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), o fim do voto obrigatório, a investigação dos gastos com a Copa e o pagamento integral das aposentadorias aos ex-funcionários da empresa aérea Varig, entre outras reivindicações. Com tantas metas, os gritos de guerra se confundiam, e só o Hino Nacional era entoado a uma só voz. Ele foi cantado pelo menos sete vezes durante o trajeto.

Uma das líderes do protesto era Cintia Casanova de Oliveira, de 30 anos, estudante e funcionária da RioCard, empresa que emite bilhetes de ônibus. "Conheci gente durante as manifestações e criamos a UCC. Por enquanto somos só eu e três amigos. Ainda não temos propostas, mas vamos nos reunir quando essa onda de protestos diminuir", afirmou Cintia, ex-militante do PCdoB. "Saí do partido há muito tempo, e hoje não tenho nenhum (partido)", contou.

O professor de curso profissionalizante José Ferreira Júnior, de 37 anos, ajudou Cintia a organizar o protesto. Também integrante da UCC, ele disse não ser "de esquerda, nem de direita, nem de centro". "Todas as reivindicações convergem para uma coisa só, que é o combate à corrupção", disse.

Questionado sobre os projetos da UCC para o País, ele respondeu: "Não teria nenhum projeto para falar agora, mas todas as ideias são viáveis".

Cabral. Cerca de 30 pessoas continuavam acampadas perto da casa do governador Sérgio Cabral (PMDB), no Leblon, zona sul do Rio, ontem à noite.

O grupo se reveza no local desde sexta-feira, 21, e nesta segunda ocupava cinco barracas montadas na rua Aristides Espínola. Cerca de 20 policiais observavam o ato e a rua permanecia interditada. Um emissário do governo, que negocia a saída do grupo, afirmou que a polícia não vai retirá-los, embora moradores do bairro peçam que a via seja liberada. Manifestantes dizem que só vão sair se forem recebidos pelo governador em audiência para discutir política de transportes e gastos com a Copa do Mundo. O governador não dormiu em casa no fim de semana. (colaborou Felipe Werneck)

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