Protesto teve confronto e depredação em Porto Alegre

A manifestação pela redução das tarifas do transporte público teve confrontos entre ativistas, que chegaram a usar explosivos de fabricação caseira e rojões, e a Brigada Militar, que usou bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e cavalaria em Porto Alegre na noite desta quinta-feira. Até às 23 horas desta quinta-feira, pelo menos quatro pessoas haviam ficado feridas, sem gravidade, e 20 pessoas haviam sido presas. Entre os 15 mil participantes - estimativa feita pela Brigada Militar - algumas centenas enfrentaram a força de segurança e destruíram fachadas de lojas, agências bancárias e prédios públicos.

ELDER OGLIARI, Agência Estado

20 Junho 2013 | 23h33

A primeira parte do ato público foi pacífica. Reunidos diante da prefeitura, os manifestantes se dividiram em dois grupos, que percorreram ruas centrais separadamente e se reencontraram na Avenida João Pessoa, de onde seguiram para o bairro Azenha cantando palavras de ordem como "vem pra rua,vem", "o povo acordou" e "quem não pula quer aumento", este para fazer todos saltarem, criando a sensação de uma onda. A única vinculação a partidos políticos foi uma faixa com os dizeres "Vamos à Luta" assinada pela Juventude do PSOL.

O conflito começou na Avenida Ipiranga, onde estão os prédios da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), da Polícia Federal e do grupo de comunicação RBS. Diante de um cordão de isolamento da Brigada Militar, alguns manifestantes apedrejaram os soldados, que reagiram detonando bombas de efeito moral.

O confronto inicial fez a multidão tomar as vias de volta para o centro, enquanto algumas centenas de participantes encararam os policiais ou saíram para ruas próximas depredando estabelecimentos comerciais. Na Avenida Azenha, alguns jovens quebraram a cortina de ferro de lojas e chegaram a retirar baterias de uma delas, e apedrejaram uma agência do Itaú.

A Brigada Militar formou um cordão de isolamento de um lado a outro da Avenida João Pessoa e, com alguns avanços da cavalaria, começou a forçar o recuo dos mais exaltados. Enquanto voltavam, os manifestantes depredaram fachadas do Shopping João Pessoa, quebraram as vidraças de uma agência do Banrisul e entraram nela para depredar caixas eletrônicos com pedaços de pau. No caminho também derrubaram tapumes de construções.

Dispersados e agindo em grupos menores, os manifestantes dispostos ao confronto foram para as ruas centrais de novo. Pouco antes das 23 horas a quadra da Avenida Borges de Medeiros entre a Rua dos Andradas e a Rua José Montaury parecia praça de guerra. Manifestantes quebraram os vidros de uma agência do Banco Itaú, depredaram lojas e enfrentaram a Brigada Militar atirando pedras e rojões. Os policiais formaram cordão e atiraram bombas de efeito moral, forçando os manifestantes a seguir para outra área da região, a Avenida Voluntários da Pátria, onde depredaram lojas do comércio popular.

Mais conteúdo sobre:
protestoPorto Alegre

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.