Protestos de Wall Street tomam o mundo

Manifestantes saíram às ruas no sábado ao redor do mundo para acusar banqueiros e políticos de destruir economias, mas somente em Roma o "dia global da raiva" degringolou para a violência.

REUTERS

15 de outubro de 2011 | 17h32

Estimulado pelo movimento Occupy Wall Street, os protestos começaram na Nova Zelândia, passaram pela Europa e voltaram a Nova York, seu ponto inicial. Os protestos atingiram a maior parte das capitais europeias e outras cidades do continente.

Eles coincidiram com o encontro do G-20 em Paris, onde ministros das finanças e presidentes de bancos centrais das principais economias mantiveram conversas sobre a crise.

A maior parte dos protestos foi pequena e mal chegou a atrapalhar o trânsito, mas em Roma as manifestações atraíram dezenas de milhares de pessoas, que se enfileiravam pelas ruas estreitas do centro por quilômetros, e descambaram para a violência.

Alguns manifestantes usando máscaras incendiaram carros, quebraram vidros de lojas e agências bancárias e vandalizaram os escritórios do ministério da Defesa.

A polícia utilizou jatos de água para dispersar a multidão que atirava pedras, garrafas e rojões.

Na região Ásia-Pacífico, porém, a situação foi tranquila. Em Auckland, principal cidade da Nova Zelândia, cerca de 3.000 pessoas cantaram e tocaram tambores, denunciando a ganância corporativa.

Em Sydney, 2.000 pessoas, incluindo aborígenes, comunistas e sindicalistas protestaram em frente ao central Reserve Bank australiano.

Em Tóquio, centenas de pessoas fizeram passeata, incluindo alguns manifestantes com o bordão anti-nuclear. Outras dezenas protestaram em frente à embaixada dos Estados Unidos em Manila segurando cartazes com os dizeres "Abaixo o imperalismo norte-americano" e "As Filipinas não estão à venda".

Mais de 100 pessoas se reuniram em frente à bolsa de valores de Taipei, para entoar dizeres como "somos Taiwan 100 por cento", e afirmando que o crescimento econômico tinha beneficiado apenas as empresas, enquanto os salários da classe média mal cobriam os custos de moradia, educação e saúde.

Em Paris, sede do encontro do G-20, uma trupe de músicos animava centenas de manifestantes no bairro operário de Belleville, numa passeata destinada a ir até o centro.

Os manifestantes em Roma, que se autoproclamavam "os indigados", incluíam desempregados, estudantes e aponsentados.

Os protestos globais foram uma resposta em parte aos pedidos dos manifestantes de Nova York para que mais pessoas se juntassem a eles. Seu exemplo também provocou ocupações semelhantes em algumas cidades norte-americanas.

Em Nova York, cerca de 2.000 pessoas marcharam da área financeira, ao sul da ilha de Manhattan, em direção à área turística de Times Square, onde estava previsto um protesto. A polícia prendeu 24 pessoas por conduta inapropriada.

PORTUGAL

Ainda na Europa, cerca de 40.000 pessoas se reuniram, entre Lisboa e Oporto, para protestar em Portugal contra novas medidas de austeridade. Algumas conseguiram furar o cerco da polícia e entrar no parlamento.

Em Madri, cerca de 2.000 pessoas se agruparam em frente a praça Puerta del Sol para uma passeata. Milhares de manifestantes também tomaram as ruas em Barcelona e mais passeatas estavam previstas em cerca de 60 cidades espanholas.

"Não é justo que eles tirem sua casa se você não consegue pagar o financiamento, mas dêem bilhões aos bancos por razões que não são claras", disse Fabia, uma funcionária de uma empresa de telecomunicações de 44 anos que recusou-se a dar seu nome completo.

Na Alemanaha, onde a simpatia pelos problemas de dívida dos países periféricos da Europa é pequena, milhares se reuniram em Berlim, Hamburgo e Leipzig e do lado de fora do banco central europeu (BCE) em Frankfurt.

Centenas de pessoas se reuniram também em Londres perto da St. Paul's Cathedral para o protesto "Occupy the London Stock Exchange".

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, disse à multidão: "Eu espero que este protesto resulte em um processo semelhante ao que vimos em Nova York, Cairo e Tunísia", disse, referindo-se às revoluções que ocorreram no mundo árabe.

Manifestações semelhantes ocorreram em Viena, Zurique e Helsinki, assim como na Grécia, onde os manifestantes fizeram uma passeata contra os planos de austeridade fiscal do governo.

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