Protestos falam da disparidade de riqueza, diz FT

O jornal britânico Financial Times (FT) dedica quase uma página inteira da edição desta quarta-feira para tratar dos protestos que ocorrem no Brasil. Em um país com economia lenta e inflação crescente, o jornal diz que "as manifestações em várias cidades contra o aumento da tarifa de ônibus estão alimentando o debate sobre a grande disparidade de riqueza no Brasil". O texto diz ainda que a ascensão de milhões de famílias à classe média gerou "maior demanda por serviços públicos mais sofisticados".

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE, Agência Estado

19 de junho de 2013 | 09h09

"Há um realismo crescente sobre os benefícios mais amplos de sediar o evento (Copa do Mundo) mesmo no Rio de Janeiro, que acolhe os Jogos Olímpicos de 2016", diz uma das duas reportagens publicadas sobre o Brasil. O texto lembra que, além dos protestos contra as tarifas de transporte público, brasileiros protestaram nos últimos dias do lado de fora de estádios, como no Rio de Janeiro e Brasília, "contra o custo da Copa do Mundo e o preço dos ingressos".

Em outra reportagem na mesma página, o FT diz que os protestos no Brasil "ocorrem em meio a eventos semelhantes em outros países latino-americanos e no exterior". Para a publicação, "o surgimento de uma classe média maior leva a uma maior demanda por serviços públicos mais sofisticados e por políticos mais responsáveis". "Brasileiros ficaram desencantados com seus líderes após uma série de escândalos de corrupção que culminou com o ''Mensalão'', em que antigos membros do Partido dos Trabalhadores foram condenados por compra de votos no Congresso", diz a reportagem.

Por outro lado, a reportagem diz que o governo segue otimista sobre o impacto dos eventos esportivos. "Ministros fiam-se das previsões da Ernest & Young que indicam que a Copa e a Olimpíada, em conjunto, geram 3,6 milhões de empregos e contribuem com 0,4 ponto do Produto Interno Bruto por ano até 2019. Mas a economia em dificuldades e o aumento da inflação estão azedando o clima de festa, a começar pelos danos à popularidade da presidente Dilma Rousseff", diz a reportagem.

O jornal também deu destaque às frases do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, que sinalizou que o governo federal não permitirá que manifestantes impeçam a realização dos grandes eventos esportivos no Brasil. "Os quem pensam que podem impedir esses eventos vão encontrar a total determinação do governo para se certificar que isso não aconteça. Protestos serão tolerados, mas com limites", disse o ministro.

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