Protestos no Rio deixam 62 pessoas feridas

Ao fim de uma manifestação que por mais de duas horas se manteve pacífica e reuniu pelo menos 300 mil pessoas na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio, um violento confronto entre policiais e um grupo de participantes começou em frente à sede administrativa da prefeitura. A confusão se alastrou por várias ruas da região e deixou um rastro de destruição e pelo menos 62 feridos ou intoxicados e 7 detidos. As cenas de guerra civil se repetiram na cidade, como havia ocorrido na segunda-feira, com depredações, saques, incêndios e violência da polícia e de manifestantes.

FELIPE WERNECK, HELOÍSA ARUTH STURM E MARCELO GOMES, Agência Estado

21 Junho 2013 | 07h50

Até as 23h30 havia focos de confusão pela cidade. Cerca de 100 ativistas estavam na frente do Palácio Guanabara, sede do governo, em Laranjeiras (zona sul), e cerca de 400 estudantes da UFRJ se refugiavam em dois prédios da universidade, no centro, alegando que a polícia realizava prisões arbitrárias nas imediações. Longe dali, um grupo de mil manifestantes interditava a Rodovia Presidente Dutra.

Centenas de pessoas foram atingidas por bombas de gás lançadas por PMs do Regimento de Polícia Montada e do Batalhão de Choque. O tenente-coronel Anderson de Souza, que comandava o regimento, afirmou que o tumulto começou quando três PMs, que formavam um cordão de isolamento em frente da prefeitura, foram atingidos por pedras. Durante o confronto, vários estudantes de Medicina prestaram socorro a manifestantes. Seis voluntários ficaram encurralados junto com repórter do Estado, em meio a uma chuva de bombas e pedras.

Um veículo do SBT foi atacado e incendiado. O repórter Pedro Vedova, da Globonews, foi atingido na testa por uma bala de borracha. Grávida de 4 meses, Mônica Azevedo, de 27 anos, ficou no fogo cruzado.

"Estava protestando pacificamente, perto de muitos estudantes e crianças. Começaram a jogar bomba na gente. Não sei quem começou, mas a polícia não pode agir com essa violência", disse. "Falam que esse gás é abortivo, jogaram indiscriminadamente nas pessoas, vi muita gente passando mal." Quiosques instalados no Terreirão do Samba, área pública de shows vizinha ao sambódromo, foram saqueados e incendiados. A Presidente Vargas parecia um cenário de filme de guerra. Policiais do Choque acuaram os manifestantes em direção à Igreja da Candelária, mas os ativistas resistiam, lançando pedras e montando barricadas. "Resistir, resistir, resistir", gritavam.

''Amanhã vai ser maior''

Durante o percurso, agências bancárias, abrigos de ônibus e relógios públicos foram destruídos. Trechos da Presidente Vargas ficaram sem luz durante o conflito. No fim da noite, manifestantes procuraram abrigo no Circo Voador, na Lapa, onde alegam ter sido atacados pela PM.

As estações de metrô situadas ao longo da avenida foram fechadas, e não havia para onde correr. "Atiraram em mim com balas de borracha. Eu só queria pegar o metrô e não consigo", disse Hannah Kaufmann, de 20 anos, que segurava um cartaz com a frase "Sonho que se sonha só é sonho. Sonho que se sonha junto é realidade!"

Reivindicações. Durante a passeata, o aumento da passagem de ônibus deixou de ser o motivo de protesto, e três reivindicações eram mais frequentes em faixas e gritos de guerra: o arquivamento da PEC 37, que retira do Ministério Público o poder de investigar; o arquivamento da proposta de "cura gay" e o fim dos investimentos em obras para a Copa. Militantes que levavam bandeiras de partidos políticos foram mais uma vez recebidos com vaias e palavras de ordem: "O povo unido não precisa de partido". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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