Protestos se espalham em Omã, e acesso a porto é bloqueado

Manifestantes que reivindicam empregos e reformas políticas bloquearam nesta segunda-feira o acesso ao principal porto de Omã, enquanto saqueadores atacavam um supermercado próximo e os protestos chegavam à capital do sultanato.

JASON BENHAM E SALEH AL-SHAIBANY, REUTERS

28 de fevereiro de 2011 | 10h05

Um médico disse que seis pessoas morreram no domingo em confrontos envolvendo manifestantes e policiais na cidade industrial de Sohar (norte). O ministro da Saúde do país afirmou que houve apenas um morto, além de 20 feridos.

Centenas de pessoas bloquearam o acesso a uma área industrial que inclui o porto, uma refinaria e uma fábrica de alumínio. Uma porta-voz do porto disse que o movimento no terminal, por onde são exportados diariamente 160 mil barris de derivados de petróleo, não foi afetado.

"Queremos ver os benefícios da nossa riqueza petrolífera sendo distribuídos igualitariamente para a população", disse um manifestante por um megafone. "Queremos ver uma redução nos estrangeiros em Omã, para que mais empregos sejam criados para os omanis."

Outras cidades também tiveram manifestações pacíficas, e centenas de pessoas protestaram diante de um complexo de ministérios e em outro local em Mascate, a capital.

Os protestos - parcialmente inspirados nas rebeliões em outros países árabes, como Egito e Tunísia - são uma rara manifestação de descontentamento no país, governado há quatro décadas pelo sultão Qaboos bin Said.

Tentando acalmar as tensões, o sultão prometeu no domingo criar mais empregos, conceder benefícios para desempregados e estudar a ampliação das atribuições do Conselho Consultivo, para que fique mais parecido com um Parlamento.

No domingo, a polícia abriu fogo contra manifestantes. Um supermercado, uma delegacia e dois prédios públicos de Sohar foram incendiados.

No supermercado, pessoas vasculhavam os escombros fumegantes em busca de produtos, mesmo que chamuscados. Uma mulher recolhia bandejas de ovos, leite em pó, suco de laranja e requeijão, e outros passavam sobre os cacos das portas de vidro com carrinhos abarrotados, sem que houvesse presença das forças de segurança.

"Não há segurança. Eu quero viver. É normal", disse o desempregado Youssef, 28 anos, deixando o mercado com dez garrafas de suco.

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