Prova tem problema pelo terceiro ano consecutivo

Ministério Público do Ceará defende anulação do exame em todo o País; até amanhã, Inep tem de se manifestar

O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2011 | 03h05

Este é o terceiro ano consecutivo em que há problemas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em 2009, um exemplar da prova foi furtado da gráfica onde era impresso e oferecido para o Estado, que alertou o Ministério da Educação (MEC) sobre o vazamento. O MEC suspendeu o exame, refez a prova e remarcou a data. Em 2010, um casal de professores teve acesso ao tema da redação e contou ao filho, que discutiu com professores e colegas. O evento foi considerado isolado. Neste ano, um colégio em Fortaleza realizou um simulado dez dias antes do Enem com 13 questões iguais às que caíram na prova. O caso está sendo investigado.

Anteontem, o juiz da 1.ª Vara da Justiça Federal do Estado, Luís Praxedes Vieira da Silva, deu prazo até as 13h45 de amanhã para o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, se manifestar sobre a ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Ceará.

Na ação, o procurador da República, Oscar Costa Filho, pede a anulação do Enem 2011, aplicado no fim de semana passado em todo o País. Como segunda opção, ele aponta a anulação das 13 questões às quais os alunos do Colégio Christus tiveram acesso antecipadamente.

Após o caso vir à tona, o MEC cancelou o exame dos 639 estudantes do 3.º ano do ensino médio do Christus e informou que eles terão de refazer a prova, nos dias 28 e 29 de novembro, mesma data em que o Enem será aplicado nos presídios do País.

A medida foi criticada por Costa Filho. Para o procurador, obrigar apenas os alunos do Christus a refazer o Enem é puni-los antecipadamente por algo que ainda está sendo investigado. "É preciso corrigir no plano onde houve a contaminação. Do contrário, estão apenas elegendo bodes expiatórios", disse Costa Filho.

Ontem, porém, o Estado mostrou que não foram apenas os alunos do ensino médio do Christus que tiveram acesso às questões. Outros 320 estudantes do cursinho mantido pela escola também receberam o caderno com as perguntas. Após saber do fato, o MEC informou que mantinha a nota desses alunos e eles não precisariam refazer a prova.

Passeata. Com as caras pintadas, cartazes e apitos, cerca de 300 estudantes de Fortaleza realizaram anteontem uma passeata contra os problemas do Enem e a favor do Ministério Público Federal.

Na quinta-feira, o ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que o governo já sabe exatamente como ocorreu a divulgação das questões antecipadamente. Segundo ele, professores do Christus copiaram e distribuíram aos estudantes dez dias antes do Enem questões usadas na prova e defendeu a anulação do exame para esses estudantes como forma de garantir a "isonomia" do Enem.

Uma das linhas investigadas pela Polícia Federal é que fiscais que aplicaram o pré-teste, em outubro de 2010, no Christus tenham sido subornados por profissionais da escola para ter acesso à prova. O pré-teste é necessário para que exames aplicados em diferentes anos tenham o mesmo grau de dificuldade.

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