Próxima safra deve puxar inflação

Embora perspectiva seja de plantio de safra recorde, aumento de custos de produção será repassado aos alimentos

Fabíola Gomes e Fabíola Salvador, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2008 | 03h44

Mesmo com a perspectiva de plantio de uma safra recorde no segundo semestre deste ano, os preços de gêneros alimentícios devem manter trajetória de alta, impulsionados pelo crescente aumento nos custos de produção. As projeções são otimistas em relação ao comportamento das cotações internacionais das commodities agrícolas, mas os agricultores refazem suas contas a cada aumento dos preços de insumos como fertilizantes, sementes, diesel e defensivos, principalmente os herbicidas à base de glifosato.Com o aquecimento da economia mundial e a alta dos preços de alimentos, a tendência é de aumento dos investimentos em produção, explica o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), Lucílio Alves. Ele alerta, porém, que a pressão inflacionária persistirá neste cenário. ''O mercado não vai esperar a chegada do produto que foi cultivado com custo maior. Os reajustes começam desde já'', afirma o pesquisador.Estudo do Cepea mostra que o custo operacional do produtor de soja do médio-norte de Mato Grosso, maior produtor brasileiro do grão, deverá aumentar 16% em relação à safra passada, justamente por causa da alta de fertilizantes, sementes e herbicidas, podendo chegar a R$ 1.174,41 por hectare cultivado. E o pesquisador do Cepea diz que culturas como feijão e milho, que têm mais de uma safra por ano, devem entrar no mercado no segundo semestre com preços mais altos. O próprio Ministério da Agricultura já trabalha com um cenário de alta de 30% nos custos variáveis de produção da safra 2008/2009.FERTILIZANTESOs analistas observam que os fertilizantes vêm liderando a alta dos insumos para a agricultura, mesmo no período de entressafra, quando os preços são tradicionalmente mais baixos. O levantamento da Céleres aponta um aumento de 100% no preço de adubos em Mato Grosso, que em 2007/2008 custou em média R$ 800/tonelada. Para a safra nova, a consultoria estima que o produtor do Estado gastará, em média, R$ 1.620/tonelada.Os custos maiores são registrados em cada etapa do processo de plantio. Os analistas destacam que, feita a adubação, os produtores também gastarão mais para semear o solo. O presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Ywao Miyamoto, garante que as indústrias estão preparadas para atender à demanda dos produtores brasileiros por sementes para plantio na safra 2008/2009 a partir de meados de setembro, mas ressalta que os preços de venda do produto serão superiores aos verificados no mesmo período dos anos anteriores.Outro insumo em alta é o glifosato, herbicida aplicado em diversas culturas, que aumentou 50% em relação à safra passada. Este aumento terá impacto, sobretudo, no custo de produção das plantações transgênicas. Enquanto a soja convencional demanda apenas uma aplicação de 4 litros por hectare, as lavouras geneticamente modificadas recebem duas aplicações de 3 litros por hectare.

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