Próximo premiê da Espanha busca informações antes de agir

O líder eleito da Espanha vai resistir à pressão internacional para revelar planos econômicos detalhados enquanto procura por esqueletos financeiros no armário e se aproxima da oposição, disseram autoridades de partidos e analistas nesta quarta-feira.

ROBERT HETZ E PAUL DAY, REUTERS

23 de novembro de 2011 | 13h53

Mariano Rajoy, conhecido como um administrador público cauteloso, venceu a eleição de domingo de forma esmagadora, já que os eleitores culparam os sete anos de governo Socialista pelo desemprego elevado e os problemas econômicos.

O líder do Partido Popular (PP), de centro-direita, fez campanha prometendo restaurar a confiança dos mercados financeiros e a expectativa é de que ele corte gastos e promova reformas econômicas favoráveis às empresas.

Mas analistas e membros do seu partido disseram que ele não será apressado, apesar da intensidade da crise de dívida da zona do euro, que obrigou três países a aceitarem resgates internacionais.

"Você não pode montar um pacote de medidas até saber exatamente que tipo de esforço de gasto público está confrontando", afirmou Miguel Arias Cañete, coordenador da campanha do PP e cotado para ser ministro das Relações Exteriores, na rádio Onda Cero, na manhã de quarta-feira.

A crise de dívida da Grécia se espalhou depois que George Papandreou venceu a eleição em 2009 e encontrou um déficit orçamentário naquele ano três vezes maior do que a estimativa do governo anterior.

Ele fracassou em impedir a escalada da crise grega para uma ameaça de falência e teve que renunciar no início deste mês.

Durante o ano passado, à medida que o PP ganhou eleições em várias regiões da Espanha, o partido reclamou que os Socialistas deixaram as contas públicas em mau estado, deixando de fora dos livros contábeis diversos pagamentos em atraso aos fornecedores.

Todos -da agência de classificação Fitch à chanceler alemã, Angela Merkel- pediram que Rajoy tomasse medidas rápidas, mas, segundo a lei espanhola, ele não vai tomar posse formalmente até o período entre 16 de dezembro e 20 de dezembro.

Com os custos de empréstimo da Espanha nas máximas em 14 anos, a demora na transição de poder será angustiante.

Uma equipe de transição do PP se reuniu com membros do governo que está de saída na quarta-feira, mas não foram divulgados detalhes das conversas.

"Membros de sua equipe econômica têm dito que vão olhar para a reforma trabalhista, mas não disseram o que vão fazer", comentou Antonio Cabrales, professor de economia da Universidade Carlos III, de Madri.

"O mesmo (acontece) com a consolidação fiscal. Tudo que ouvimos é 'Nós não vamos tocar nisso, não vamos tocar naquilo...' Ok, tudo bem. Então, no que você vai tocar, porque a consolidação fiscal é uma prioridade? Eu fiquei muito nervoso durante a eleição em que ele não disse nada", acrescentou Cabrales.

Durante a campanha, Rajoy prometeu proteger os sistemas nacionais de saúde e educação, mesmo quando cortar gastos. Mas muitos espanhóis acreditam que o estado de bem-estar social ficará vulnerável agora que a eleição foi vencida.

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