Psicóloga fala sobre o impacto do afastamento físico nas relações humanas

Psicóloga fala sobre o impacto do afastamento físico nas relações humanas

Com o prolongamento do distanciamento social, sociedade deverá encontrar novas maneiras de simbolizar o abraço

Media Lab Estadão, Media Lab Estadão

29 de maio de 2020 | 16h31

A perda do contato físico com família e com os amigos tem sido uma das principais queixas desse período de distanciamento social. Em um webinar organizado pelo Media Lab Estadão, a psicóloga Rosely Sayão conversou com a jornalista Rita Lisauskas sobre o impacto desse afastamento, sobretudo para uma sociedade como a brasileira, culturalmente acostumada a demonstrações de carinho por meio de abraços e beijos. “Não deixa de ser uma provação para nós”, avaliou Rosely. “Nas relações mais íntimas tem muito aconchego físico. Se um filho se machuca, a gente acolhe num abraço apertado. Uma amiga chora, oferecemos o ombro”, exemplificou.  

Diante do fato de que, até que se tenha uma vacina contra o novo coronavírus, o risco permanece, prolongando indefinidamente o distanciamento, a saída é encontrar novas maneiras de simbolizar o abraço. “Há amorosidade no olhar, na expressão facial”, enfatizou a psicóloga. “Mas é principalmente a palavra que vai sustentar esse carinho, essa empatia. Temos que reaprender a usar as palavras que indicam acolhimento, de um jeito mais pleno de sentido”.

O socorro dos encontros virtuais

Nesse novo cenário, a tecnologia conquista não apenas mais espaço, mas novas atribuições. No universo de crianças e adolescentes, em contato com celulares e tablets desde muito cedo, as telas sempre foram encaradas como brinquedo. “Agora ganharam novo sentido. São usadas para estudar e para matar a saudade dos colegas. Eles estão fazendo essa transição, de um objeto que era visto unicamente como entretenimento para um meio de comunicação e de conhecimento”, observou Rosely.

Já para os adultos, uma geração que hoje é analógica e digital, os recursos tecnológicos deixam de ser canalizados apenas ao trabalho para funcionar como meio de reunir as pessoas. “Ganham sentido de aproximação. No meu caso, foi graças às telas que não passei um aniversário solitário”, contou.

O sofrimento dos pequenos

Na opinião de Rosely Sayão, o isolamento é especialmente doloroso para os adolescentes. Afinal, a pandemia interrompeu o desenrolar natural dessa fase, quando ocorre o afastamento da família para viver novas experiências com amigos. “Temos que reconhecer o sofrimento, mas não permitir que ele aniquile com a vida”, alertou. “Para as crianças, brincar com os colegas e socializar com outros adultos, e não só com o pai e a mãe, é muito importante. Mas agora, com essa convivência tão próxima e por tanto tempo, elas têm também a oportunidade de recriar os vínculos familiares”, destacou.

Saber explicar esse momento é outra preocupação das famílias. “O melhor é ter clareza, dizer que ainda não tem vacina para vencer o vírus, e por isso é preciso ficar em casa para proteger os avós, os tios e outros familiares”, sugeriu Rosely. Com crianças pequenas, é possível lançar mão do mundo da imaginação, usando livros infantis para associar uma imagem ao vírus, algo com que se identifiquem, como um monstrinho. 

A preparação para o amanhã

Para falar sobre o futuro, Rosely Sayão lembrou um verso cantado por Elis Regina: “Nada será como antes amanhã”. Vamos ter que passa pelo luto daquilo que a gente conheceu para ter condições de criar novas maneiras de viver. Até porque, o que virá vai depender do comportamento da sociedade, exigindo que cada um faça sua parte. Quanto aos problemas psicológicos desencadeados por esse período de intenso estresse, Rosely acredita que é preciso esperar com atenção para avaliar as possíveis sequelas físicas e mentais da quarentena. Por ora, na convivência forçada e prolongada dentro de casa, cabe recorrer ao autoconhecimento para tentar controlar as emoções – buscando, na medida do possível, momentos de quietude, tranquilidade e silêncio.

 

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