PT amplia defesa de Bezerra com vistas a aliança em Recife

Alvo de críticas pelo direcionamento de verbas do Ministério da Integração Nacional a seu Estado, Pernambuco, o ministro Fernando Bezerra ganhou apoio para sua permanência na pasta nesta sexta-feira da cúpula do PT e de grupos ligados ao ex-presidente Lula preocupados com a aliança para as eleições municipais de outubro em Recife.

ANA FLOR, REUTERS

06 de janeiro de 2012 | 18h54

Afilhado político do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, Bezerra passou a constar na lista de pré-candidatos à prefeitura ao transferir recentemente o domicílio eleitoral de Petrolina para Recife.

Na quarta-feira, em entrevista coletiva, Bezerra afirmou que a decisão sobre ser ou não candidato em outubro é de seu partido, mas que a preferência na chapa municipal cabe do PT.

Segundo um partidário do ministro, o desejo de Bezerra neste momento é permanecer à frente do ministério. Mas caso tenha que deixar a pasta por desgaste político, seria o candidato natural do PSB em Recife.

Nesta sexta-feira, o presidente do PT, Rui Falcão, divulgou nota em que afirma que "para o PT, o episódio está encerrado e não abala nem um pouco as relações políticas com o seu aliado, o PSB". A nota foi uma forma de desautorizar petistas que cobraram explicações públicas do ministro.

À Reuters, Falcão, que está em férias, afirmou que o partido quer esclarecer que não tem qualquer interesse no afastamento de Bezerra da pasta.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), também afirmou que não há de parte do partido intenção de desestabilizar Bezerra e que o momento é de "desfazer especulações de fogo amigo" - isto é, de que o PT estaria tentando tomar a pasta da Integração Nacional do aliado.

"Cabe à presidente, e somente a ela, cobrar explicações de seus ministros e assessores", afirmou Costa, em mais um recado a integrantes do PT que vieram a público pedindo que Bezerra se explique sobre os repasses de verbas para prevenção de enchentes.

O ministro, que está em Minas Gerais visitando áreas afetadas pelas enchentes, ainda não se reuniu com a presidente Dilma Rousseff. Ela retornou na tarde de ontem a Brasília das férias na Bahia.

O Planalto tem tentado contornar o desgaste político com o PSB. Na quinta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, já havia pedido a lideranças do PT que evitassem se manifestar cobrando explicações de Bezerra.

A intenção é não desgastar a relação com Eduardo Campos, um dos governadores que garantiram o maior número de votos a Dilma em 2010 e que vem sendo cortejado pela oposição, com vistas às eleições presidenciais de 2014.

O ex-presidente Lula também está empenhado em manter o PSB e Campos como aliados próximos. Assim que terminar o tratamento que realiza para combater um câncer, Lula planeja mergulhar nas costuras para as eleições municipais de outubro, em especial para ampliar o número de capitais comandadas pelo PT.

Pela aliança com o PSB e pela manutenção de um nome do PT no comando da capital de Pernambuco, Lula fez campanha aberta no final de 2011 para que Ana Arraes, mãe de Eduardo Campos, vencesse a indicação da Câmara dos Deputados para a vaga de ministra do TCU (Tribunal de Contas da União).

(Edição de Eduardo Simões)

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