PT tem batalha interna para definir vice de Sarney no Senado

A reeleição do senador José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado está praticamente sacramentada, mas a batalha no PT para a definição do candidato a vice-presidente da Casa deve ser grande.

JEFERSON RIBEIRO E LEONARDO GOY, REUTERS

20 de janeiro de 2011 | 17h41

Pelo regimento do Senado, as bancadas preenchem os cargos conforme seu tamanho --se não houver um clima de disputa entre os partidos, como parece ser o caso agora.

Por ser a maior da Legislatura que começa em fevereiro, o PMDB, com 19 senadores, fica com a presidência. O PT, segunda maior bancada (15), optou pela primeira vice-presidência.

Mas se os peemedebistas estão definido em torno do atual presidente da Casa, Marta Suplicy (SP) e José Pimentel (CE) disputam na bancada petista o direito de substituir Sarney sempre que necessário. E parece não haver clima para um acordo.

"Não sinto da parte de nenhum dos dois vontade de abrir mão da disputa", disse o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), que procurou minimizar a situação, dizendo não acreditar que isso provoque uma crise entre os petistas. "O PT está acostumado a esse tipo de votação e debate interno."

Outro senador ouvido pela Reuters, no entanto, tem uma avaliação diferente. "Se a Marta perder haverá crise", disse esse parlamentar, que pediu para não ser identificado.

Essa eventual crise seria resultado do descontentamento da bancada com a forma como a candidatura de Pimentel foi apresentada. Segundo relato desse senador, o ministro de Ciência e Tecnologia e ex-líder da bancada, Aloizio Mercadante, trabalhou para que Pimentel não tivesse concorrência e fosse aclamado pelos colegas para fazer parte da mesa diretora.

"Esse foi um prato feito entregue à bancada. E o que houve foi um levante contra o dedaço do Mercadante", relatou esse senador. Ele disse que havia insatisfação de parte dos senadores petistas contra a liderança do parlamentar paulista.

Questionado sobre essa rebelião contra a indicação de Mercadante, Costa contemporizou. Segundo ele, a reunião em que foi eleito líder não foram apresentadas reivindicações em relação ao trabalho de seu antecessor.

"O Aloizio foi líder num período de enfrentamento, em que tinha uma crise pesada no Senado. E também havia uma grande dificuldade na correlação de forças. Essa foi uma característica do mandato recente. Hoje a situação é bem mais confortável", avaliou o novo líder petista.

Marta e Pimentel não estiveram no Senado nos últimos dias e têm trabalhado em busca de apoio por telefone. Costa avalia que os dois têm chances iguais de conquistar a indicação da bancada.

DIVISÃO DE CARGOS

O PT também está de olho nas comissões de Assuntos Econômicos, a mais importante da Casa, Constituição e Justiça e Infraestrutura. A escolha depende do que o PMDB, maior bancada do Senado, tiver como prioridade.

Os dois partidos ainda terão que fazer as contas para atender os partidos que estiverem nos blocos comandados por eles. O PT busca um acordo com PR (4 senadores), PDT (4), PSB (3), PCdoB (2) e PRB (1). Juntos, eles formariam um bloco de 29 parlamentares.

Mais da metade dos senadores eleitos pelo PT em 2010 vai cumprir seu primeiro mandato na Casa e já buscam posições de destaque na Casa para ganhar visibilidade política, o que deve gerar uma pressão maior na divisão dos cargos entre os aliados do bloco.

O PMDB negociar formar um bloco com PTB (6), PP (5), PMN (1) e PSC (1), que uniriam uma bancada de 32 parlamentares. Contudo, a oposição não deve ficar inerte. DEM, PSDB e PPS podem formar um bloco de 16 senadores e conseguir espaço na mesa diretora e comandar comissões permanentes.

REGIMENTO E SARNEY

A regra da proporcionalidade para a eleição e composição das comissões no Senado parece estar sendo respeitada de forma tranquila entre outros motivos pelo fato de a oposição ainda estar passando por um período de reorganização sem ter como lançar um candidato contra Sarney com alguma chance de sucesso.

A reeleição de Sarney está sendo facilitada também porque o PT está seguindo a orientação do Palácio do Planalto e não fará resistência à indicação do PMDB para comandar a Casa, como em 2009, quando o peemedebista teve que enfrentar o petista Tião Vianna (AC), que teve o apoio do PSDB, para ser eleito presidente.

Mais tarde, em meio a diversas denúncias contra Sarney, o PT chegou a trabalhar contra o cacique do PMDB, a tal ponto que o apoio do Executivo ao peemedebista durante a crise política que ele enfrentou no Senado provocou divisões dentro da bancada petista.

Agora Costa trabalha para um relacionamento melhor.

"Eu conversei com o senador Sarney por telefone e ele me disse que precisamos trabalhar juntos para construção de pontes entre PT e PMDB. A relação dos dois partidos não era a ideal", contou Costa.

Peemedebistas ouvidos pela Reuters sob a condição de anonimato descartam que a eleição de Sarney tenha a ver com as indicações para o segundo escalão do governo, em especial no setor elétrico. Segundo eles, as nomeações nesse setor serão negociadas com a base aliada, mas não há vinculação com a eleição na Casa.

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