Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Publicitária toma remédio para convulsão

Fernanda Martins não conseguiu emagrecer com sibutramina e médica prescreveu topiramato

Fernanda Bassete, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2012 | 03h04

A publicitária Fernanda Martins, de 26 anos, brigou com a balança durante anos, fez vários regimes, tomou remédios indicados para obesidade, praticou exercícios, mas nunca conseguiu atingir o peso ideal.

Ela conta que engordou cerca de 30 quilos nos anos em que cursou faculdade e admite que "sempre foi um pouco relapsa" no quesito alimentação saudável e prática de exercícios físicos. Decidida a perder peso, Fernanda procurou uma médica, que prescreveu a ela sibutramina. A publicitária tomou o medicamento por cerca de seis meses, mas ela não conseguiu emagrecer.

Na mesma época, a Anvisa proibiu a comercialização das outras drogas disponíveis para o tratamento da obesidade no País: os remédios derivados da anfetamina (femproporex, mazindol e anfrepramona). Assim, Fernanda ficaria sem opção de tratamento.

Sua médica, porém, propôs que ela tentasse usar o topiramato - remédio de tarja preta e uso restrito, indicado para tratamento de epilepsia e prevenção de enxaquecas. A prescrição foi off label (fora da indicação da bula).

Fernanda não pensou duas vezes e, ciente dos possíveis efeitos colaterais, decidiu experimentar. "Se não desse certo, tentaríamos uma droga mais forte."

A publicitária aderiu ao topiramato há nove meses - ela toma dois comprimidos de 100 mg diariamente - e está satisfeita com os resultados. "Não tive perda de memória nem sonolência, não sinto nada de anormal. Além disso, perdi quase dez quilos", diz Fernanda, que não controla a alimentação nem faz exercícios.

A publicitária afirma não se arrepender de usar um remédio que não foi feito para tratar obesidade. "Tomo com acompanhamento médico. Enquanto sentir que está me fazendo bem, não tenho motivo para interromper o uso. Não estou fazendo nada de errado."

Mais conteúdo sobre:
Obesidadeconvulsão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.