Qual é o nome do inhame?

O tubérculo marrom do gênero Dioscorea de que falo não é um exemplo de beleza no reino vegetal, mas sua polpa quase sempre branca, de sabor delicado, é uma reserva de alimento.

Neide Rigo,

25 Julho 2013 | 02h16

Se com a mandioca o inhame africano nunca teve leve parentesco, e por isso nenhum brasileiro confundiria um com outro, como o fez Pero Vaz de Caminha, já com o cará nativo o inhame divide família e gênero. O consolo é que a confusão se dá também em outros lugares. Nas Canárias, por exemplo, o nome nãme é dado tanto a uma espécie de dioscorea quanto ao taro, do gênero Colocasia, que no Brasil também é chamado de inhame ou inhame-japonês.

Depois de seleções para cultivo comercial tanto do inhame africano quanto do cará que havia no Brasil, hoje, popularmente, os dois nomes coexistem no Norte e Nordeste, sendo inhame ou inhame-da-costa aqueles maiores e cará ou inhame-são-tomé os menores, com polpa mais branca e granulada, comuns em São Paulo e Estados vizinhos. No mundo acadêmico, pesquisadores descobriram que ficaria difícil falar sobre inhame sem resolver a questão semântica. Por isso, em 2001, a nomenclatura foi padronizada. Inhame-japonês virou taro e todos os inhames e carás, do gênero Dioscorea, viraram inhame.

Se o consenso já tem mais de dez anos e popularmente nada mudou é porque, como previa Câmara Cascudo, essa confusão é irremediável. Então, para maior clareza, sempre que possível, usemos o nome popular e o científico (Dioscorea spp).

Ainda que os inhames nativos, como os amazonenses roxos com formatos de mão, ou africanos e asiáticos cultivados hoje no Brasil sejam diferentes na cor, forma e textura da polpa, em comum todos têm a viscosidade quando crus e a consistência cremosa quando cozidos. Ricos em amidos e nutrientes, podem ser consumidos no café da manhã ou em merendas, com manteiga ou melado e até como cuscuz. São bons para purês, bolinhos ou guarnição para carnes e peixes, com a vantagem de não modificar o sabor se guardado por alguns dias na geladeira, diferente das batatas.

A polpa branca e escorregadia do inhame cru foi muito útil, no passado, para dar liga a bolos e broas de fubá, quando o trigo era raro. No Vale do Paraíba, ainda podemos encontrar broas assadas na folha de bananeira feitas com fubá e inhame ralado. É também sua mucilagem (uma glicoproteína) que torna possível o preparo de fritadas, sem o uso de ovos ou outros espessantes. Basta ralá-lo cru e descascado, misturar com outros ingredientes e fritar como tortilha.

Receita: fatias de purê de inhame douradas

Ingredientes

1/2 kg de inhame

1 colher (chá) de sal

2 colheres (sopa) de manteiga

2 colheres (chá) de alecrim

1 pimenta dedo-de-moça, sem sementes, picada

1. Cozinhe o inhame descascado em 1 litro de água com o sal por cerca de 30 minutos ou até que fique bem mole. Escorra, passe por espremedor de batatas ainda quente e tempere com sal, se for preciso. Deixe esfriar.

2. Coloque numa fôrma retangular de plástico e deixe na geladeira até esfriar bem. Desenforme, corte em fatias de 1,5 cm e doure dos dois lados em frigideira antiaderente com um pouco de manteiga ou azeite (1 colher de chá para cada fatia).

3. Sirva com a manteiga derretida, temperada com o alecrim e a pimenta, como acompanhamento de carnes assadas. Se quiser, tempere o purê com um pouco de queijo canastra ralado.

Rende 4 porções.

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