Quando ir ao trabalho se torna missão impossível

VAI E VOLTA

, O Estadao de S.Paulo

09 Dezembro 2009 | 00h00

A auxiliar de expedição Vanessa Paiva Ramos, de 26 anos, mora no Imirim, zona norte, e trabalha em uma joalheria em Alphaville, a 24 quilômetros de distância. Vai de ônibus fretado da empresa e, às vezes, tira um cochilo no caminho. Ontem, ela embarcou às 6h35, no Terminal Vila Nova Cachoeirinha, e despertou uma hora e meia depois, achando que já poderia desembarcar.

"Estávamos praticamente no mesmo lugar", afirmou. De fato, o ônibus percorreu 500 metros da Avenida Inajar de Souza, sentido Marginal do Tietê. "O motorista desistiu, fez o retorno e voltou para a garagem." Cerca de 40 pessoas tiveram de voltar para casa, segundo Vanessa.

Casos semelhantes se repetiram por toda a zona norte, a mais afetada pela falta de condições de atravessar o Rio Tietê. O advogado José Carlos Dunder, de 64 anos, morador da Vila Maria, percorreu 1,5 quilômetro na Vila Guilherme, na tentativa de chegar ao Vale do Anhangabaú, no centro, onde fica seu escritório.

"Parecia um formigueiro, tinha gente para todo o lado, carro andando de marcha à ré", descreveu. "Eu nunca tive de desistir e voltar para casa por causa de trânsito. É a primeira vez em toda a minha vida." Do outro lado do rio, em bairros centrais, como Barra Funda e Bom Retiro, a água subiu e muitos moradores ficaram presos em casa. Até os taxistas se recusavam a fazer corridas pela área.

Na Rua Visconde de Taunay, na Barra Funda, a dona de casa Silmara de Oliveira, de 46 anos, tentou usar o balde contra o rio que se formou na garagem de seu sobrado. "Desde fevereiro de 2003 essa rua não enchia. Espero que livrem meu IPTU no ano que vem."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.