Quando o ‘chá’ se sobrepôs ao ‘tea’

O termo era usado na Província Guandong, em que viviam os mercadores ibéricos responsáveis por levar a bebida para a Europa

Paula Moura,

29 de abril de 2010 | 09h43

História. A pronúncia "tea" vem do contato com a província de Fujian. Foto: Alex Silva/AE

 

Por que quase todo o mundo se refere às bebidas feitas com Camellia sinensis usando a palavra "tea" (ou outras com sonoridade parecida) e no Brasil o chamamos de "chá"?

 

Segundo Shigehiro Kodomari, da Associação Mundial do Chá Verde, por volta de 760, surgiu na China o ideograma "cha". E a pronúncia "cha" teria chegado à língua portuguesa por uma coincidência histórica.

 

"Cha" era um termo usado na Província Guandong, onde os mercadores ibéricos (os primeiros a levar a bebida para a Europa) estabeleceram seu comércio. A pronúncia "tea" vem do contato com a província de Fujian, porta usada pela maioria dos países europeus para o negócio do chá chinês.

 

 

 

COPO PARA OS QUATRO SENTIDOS

 

A pequena peça de cerâmica ou porcelana yunomi (que significa "tomar água quente") não tem alça, como a xícara ocidental.

 

E é por isso que ela permite apreciar a bebida recorrendo-se a quatro sentidos, começando pelo tato, para sentir o calor do chá - além deles, perfume, sabor e o olhar.

 

Há dois tipos de yunomi, um em forma de tigela e outro com formato de tubo.

 

Junpei Yokoi, da Associação Mundial do Chá, explica que para segurá-la sem queimar os dedos, deve-se seguir a tradição: uma mão apoia o copinho embaixo e a outra, do lado.

 

A de cerâmica mantém melhor o calor que a de porcelana, o que a torna mais apropriada para o inverno. Recomenda-se servir o chá mais refinado em yunomi menores e de design delicado - no bairro paulistano da Liberdade, há uma profusão de yunomi, das mais variadas estampas. "Os japoneses escolhem o yunomi pensando na estação do ano, no tipo de chá e na personalidade do convidado", diz Yokoi.

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