Quando tudo sai direito: bem escrito, dirigido e interpretado

Começa em suspense - uma mulher de punhos cerrados na cama, ao lado do marido que ronca. Ela se levanta, sai de quadro, a câmera filma a casa de fora, ouve-se um tiro. No final, sobre a imagens dos amantes cresce o som de uma sirene de polícia. Quem morreu no começo? O que vai acontecer no fim? Entre duas cenas "abertas", Catherine Corsini tece a ficção de Partir.

Luiz Carlos Merten, CRÍTICA, O Estadao de S.Paulo

18 Dezembro 2009 | 00h00

Seu filme, ela é a primeira a admitir, podia se basear num "fait divers", numa ocorrência policial, mas não. O espectador acompanha em detalhes o processo de aproximação de Kristin Scott Thomas, mulher casada e burguesa, do trabalhador clandestino (Sergi Lopez). Eles se tornam amantes, o marido (Yvan Attal) intervém. A relação vai ficando cada vez mais difícil, mas a intensidade da paixão persiste (e aumenta).

Na entrevista ao lado, a autora nega que exista um olhar feminino, uma sensibilidade feminina. Mas um homem talvez não filmasse daquele jeito a primeira cena de sexo - Sergi se aproximando por trás de Kristin, enchendo a mão com seu seio e ela pegando sua outra mão para colocar entre as próprias pernas. Um homem também talvez não filmasse aquela tensão de Kristin - os punhos cerrados, o olho estalado dentro da noite, na expectativa da tragédia.

Partir é bem escrito, dirigido e, principalmente, interpretado. Catherine Corsini constrói sua direção por meio de cenas elaboradas. O som é decisivo. São os ruídos da noite, no início. A vida na cidade, os sons da natureza. Algumas frases musicais. E o silêncio. "Existem momentos em que a palavra nada acrescenta e o silêncio é de ouro", diz a diretora. Seu filme é a prova.

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