Quantidade certa de filtro garante proteção contra sol

FPS pode ser 3 vezes menor quando quantia aplicada na pele é inadequada, diz estudo da Medicina da USP

Karina Toledo, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2009 | 00h00

Roupas curtas e dias longos tornam a exposição ao sol praticamente inevitável no verão. E mesmo quem passa filtro solar diariamente pode estar menos protegido do que imagina contra o câncer de pele e o envelhecimento precoce. A aplicação de quantidades insuficientes do produto reduz o fator de proteção solar (FPS) a menos da metade, mostra um estudo da Faculdade de Medicina da USP.

"Criamos uma equação que estima o real valor do FPS de acordo com a quantidade de filtro solar aplicada", explica Sergio Schalka, autor principal da pesquisa, publicada pela revista Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine. "A queda da proteção é exponencial, ou seja, se você passar metade da quantidade recomendada de um protetor solar com FPS 20, o FPS real que você terá será 7", afirma.

Segundo Schalka, estudos anteriores mostraram que os usuários aplicam entre 0,4 mg e 1 mg de filtro solar por centímetro quadrado do corpo, quando o recomendado pelos fabricantes é 2 mg (mais informações nesta pág.). "Não adianta nada você comprar um protetor de ótima qualidade, com FPS altíssimo, e aplicá-lo de forma inadequada", alerta.

Outro erro comum, diz ele, é não reaplicar o filtro solar com frequência durante o período de exposição solar. "Depois de duas horas, o protetor já foi para o espaço por causa do suor e do atrito da pele com a roupa ou com a areia da praia. Mesmo um filtro que em teoria garante proteção por um tempo longo precisa ser reaplicado", diz.

A Academia Americana de Dermatologia recomenda, desde outubro do ano passado, que o FPS mínimo dos filtros solares seja 30. "Aqui no Brasil já temos falado isso há pelo menos dois anos, embora não exista uma recomendação oficial", explica Schalka, que também é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. "Essa preocupação deve ser constante, pois o sol do dia a dia, ao longo da vida, prejudica mais que o da praia uma vez por ano."

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pele é o tipo mais incidente no Brasil. A estimativa para 2008, a mais recente, ultrapassava 120 mil casos. Embora a letalidade desse tipo de tumor seja baixa, nos casos em que há demora no diagnóstico pode haver risco de ulcerações e deformidades físicas graves.

"A maioria dos cânceres de pele é causada por exposição excessiva ao sol", afirma o oncologista Rafael Aron Schmerling, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. "O melanoma é a forma mais grave, mas também a menos incidente. Geralmente envolve um fator genético, uma história familiar." O filtro solar, alerta Schmerling, é apenas uma das medidas de fotoproteção. "Também é preciso usar chapéu, óculos, guarda-sol e, principalmente, evitar o sol entre 10 e 16 horas."

NA PRAIA

As amigas Mylene Saldanha e Vera Costa afirmam usar sempre o protetor solar quando vão à praia, no Rio. Mas não seguem à risca a recomendação dos dermatologistas. Mylene, que é lojista, diz que não sai de casa sem filtro no rosto, mas nem sempre é tão cuidadosa com a pele do corpo. "Na minha filha eu passo sempre, no corpo e no rosto; em mim, como sou morena, passo no corpo só quando vou ficar o dia inteiro na praia."

Já Juliana Garcia, de 16 anos, passa filtro solar 30 sempre que chega à praia. O ritual inclui cuidado redobrado com o rosto e também repetir a dose de protetor ao longo do dia.

Sua tia, Dilma Garcia, de 35 anos, conta que só começou a se preocupar com a fotoproteção quando era mais velha que Juliana. "Eu até uso, mas passo mesmo quando chego à praia."

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