Quatro acusados de serem agentes da Venezuela nos EUA foram presos em Miami.

Quatro acusados de serem agentes da Venezuela nos EUA foram presos em Miami.

BBC Brasil, BBC

13 de dezembro de 2007 | 09h15

Três venezuelanos e um uruguaio com supostas ligações com o chamado "caso da mala", como ficou conhecido na Argentina, tiveram sua prisão anunciada na quarta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, acusados de "conspirar como agentes ilegais" da Venezuela nos Estados Unidos.A acusação formalizada na Justiça americana diz que "nem a verdadeira fonte nem o possível receptor do dinheiro foram revelados". Porém, segundo agências de notícias internacionais e jornais argentinos e americanos, o promotor federal Thomas Mulvihill teria dito ao juiz Robert Dube, durante uma audiência em Miami na quarta-feira, que "o dinheiro tinha como destino a campanha de Cristina Kirchner"."Os acusados foram orientados a manter silêncio sobre o papel da Venezuela no assunto", teria dito Mulvihill, segundo reportagem do diário americano The Miami Herald.O governo argentino não comentou o assunto na quarta-feira. Já o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que o caso é "parte da guerra política dos Estados Unidos contra o governo da Venezuela".Os venezuelanos Carlos Kauffman, Moisés Maionica e Franklin Durán e o uruguaio Rodolfo Wanseele, presos em Miami, seriam acusados de pressionar o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson - todos radicados no sul da Flórida - a transportar o dinheiro à Argentina, ameaçando seus filhos, segundo o Miami Herald.Conversações entre Wilson e os acusados, comprovando as acusações, teriam sido gravadas por agentes do FBI, a polícia federal americana, com a anuência do próprio Wilson. A alfândega argentina flagrou a mala com dinheiro quando Wilson e autoridades do governo argentino chegavam em um jato particular à Argentina no dia 8 de agosto deste ano, dois dias antes do desembarque do presidente Hugo Chávez no país. Na ocasião, o governo do presidente Néstor Kirchner pediu que o caso fosse investigado e que Wilson fosse extraditado à Argentina para dar explicações sobre o caso, que gerou demissões nos dois governos. O episódio ficou conhecido, durante a campanha eleitoral, como "o caso da mala" e provocou a demissão do presidente da petroleira estatal venezuelana PDVSA na Argentina e vice-presidente geral da empresa, Diego Uzcategui Matheus. O filho dele, Daniel Uzcategui Spetch, de 18 anos, foi acusado de ter convidado Guido Antonini Wilson a embarcar no jatinho alugado pela estatal argentina Enarsa, na viagem realizada entre Venezuela e Argentina, dois dias antes da chegada do presidente venezuelano a Buenos Aires. Quando surgiu o escândalo, o presidente Chávez disse que era "caso de polícia" e destacou tratar-se de mais uma ação "conspirativa" do "império americano".O escândalo provocou também a demissão de Cláudio Uberti, um dos homens fortes da equipe do ministro do Planejamento argentino, Julio de Vido. Uberti estava a bordo do jato particular em que o empresário venezuelano embarcou. De Vido foi ministro de Néstor Kirchner e continua no governo da presidente Cristina Kirchner.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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