Quatro são presos por suposto tráfico de armas no Rio

Uma investigação de cinco meses levou a Polícia Civil do Rio de Janeiro a prender quatro homens envolvidos em um esquema de tráfico de armas do Paraguai para a Favela da Rocinha, na zona sul da capital fluminense. Em ligações telefônicas, os criminosos foram flagrados negociando a reposição de granadas e fuzis apreendidos no dia 21 de agosto, quando bandidos da comunidade trocaram tiros com policiais e invadiram um hotel de luxo no bairro de São Conrado.

BRUNO BOGHOSSIAN, Agência Estado

20 de setembro de 2010 | 18h44

De acordo com a responsável pela Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), Márcia Beck, anotações encontradas com os fornecedores indicam que eles vendiam 10 fuzis, 14 mil projéteis e mais de 2 toneladas de maconha a cada 20 dias para os traficantes do Rio.

Entre os presos, estão dois homens apontados como comerciantes de armas pela fronteira entre o Paraguai e o Brasil. Luiz Cláudio Carvalho (o Coroa) e Antônio Ezequias Gura (o Gordo) foram capturados por policiais fluminenses nas cidades de Foz do Iguaçu e São Miguel do Iguaçu, no Paraná.

A investigação começou há cinco meses e tem o objetivo de bloquear novas rotas de transporte de pistolas, fuzis, granadas e munição encomendadas por Antônio Bonfim Lopes, conhecido como Nem. A Rocinha serve como um ponto de distribuição para as demais favelas ocupadas pela quadrilha chefiada por ele.

"Essa operação tem um reflexo imediato no abastecimento de armas na Rocinha e consolidam uma nova estratégia para impedir a entrada desse material à favela", explicou o chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski. "Evitamos a chegada de centenas de pistolas, fuzis e granadas sem dar um tiro sequer". A operação é vista como uma ação para enfraquecer o poder de fogo dos traficantes e facilitar a entrada da polícia em favelas dominadas por criminosos - como acontece nas ações de pacificação e ocupação permanente.

Gravações

Além dos fornecedores de armas, também foram presos dois intermediários de traficantes de Rocinha. Carlos Vinicius Braga dos Santos (o Cafu) estava em Foz do Iguaçu para negociar a compra de oito fuzis. O traficante de classe média Ricardo Pereira Terra de Andrade (o Robocop), preso fora da favela, foi apontado como o homem que teria apresentado os vendedores de armas a Nem.

Nas gravações obtidas com autorização da Justiça, Gordo negocia a venda de fuzis M16 para traficantes da Rocinha e chega a oferecer uma metralhadora antiaérea a um dos intermediários da quadrilha de Nem.

Durante as investigações, a polícia descobriu a participação de Rúbia Maria Soares (conhecida como Coração) no esquema. Ela negocia com Coroa a compra de "8 peças grandes" (fuzis) e "14 mil pecinhas" (projéteis). Em uma mensagem de texto para celular, os dois discutem preços de "abacaxis" (granadas). A operação da Polícia Civil não apreendeu armas e dinheiro, porque, segundo a delegada Márcia Beck, os líderes das quadrilhas de fornecedores não guardam o material comercializado e costumam transportá-los desmontados, escondidos em carros de passeio discretos.

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