Quatro vias da 25 concentram furtos

Rua 25 de Março registrou 348 ocorrências no mês passado; vias ao redor também são perigosas

Camilla Haddad, do Jornal da Tarde, O Estadao de S.Paulo

11 Dezembro 2009 | 00h00

Com 348 furtos contra pedestres no mês passado, a Rua 25 de Março é a que mais registrou esse tipo de crime na região do comércio popular no centro da capital. No entanto, em três outras vias - a Barão de Duprat, a Comendador Afonso Kherlakian e a Ladeira Porto Geral - o risco de ter bolsas e carteiras levadas por ladrões também é grande. Juntas, as três registraram 49 furtos em novembro, segundo apurou a reportagem nas delegacias da área.

A maioria das vítimas é mulher, sozinha, geralmente com celular exposto na bolsa semiaberta. Já os homens têm a carteira furtada quando a deixam no bolso de trás da calça. Para a Polícia Militar, a situação está controlada. De acordo com a corporação, na comparação com o mesmo período do ano passado, houve redução de 10,3% nos casos na 25 de Março (de 388 para 348).

No entanto, muitas vítimas deixam de registrar a ocorrência. A estudante Ana Catarina Silva, de 23 anos, conta que foi furtada enquanto estava em uma loja de bijuteria. "Deixei uma mochila em cima da prateleira para escolher brincos e quando olhei para trás já tinham pego. Foi muito rápido, em segundos." Ela diz que não registrou a ocorrência porque objetos de valor, como celular e dinheiro, estavam no bolso.

A dona de casa Amélia Marques, de 52 anos, é mais atenta: ela diz prestar atenção nos trombadinhas. "Às vezes estamos distraídas, chega alguém, empurra e leva alguma coisa."

O diretor da União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências (Univinco), Marcelo Mouad, afirma que a segurança melhorou após um convênio firmado entre a Prefeitura e a PM. Desde o dia 2, policiais militares passaram a patrulhar toda a região. São cerca de 150 homens que se revezam em dois turnos.

"O ano passado foi um dos piores. Nesse mesmo período, posso dizer que a segurança estava no fundo do poço", afirma Mouad. "Agora melhorou. Os delitos hoje se resumem aos furtos e a vítima é aquela pessoa que está com celular, sacola e carteira à vista."

Uma comerciante, no entanto, teme que ladrões furtem nos estabelecimentos. "A rua está cheia de policiais. Espero que os casos não passem para dentro das lojas", disse a dona de um comércio de tecidos. Já um PM contou à reportagem que quase todo dia uma pessoa nervosa se queixa da falta de um celular ou carteira. "Não dá para controlar tudo."

Os bandidos, segundo a polícia, costumam agir logo após a abertura das lojas, por volta das 9 horas, e no fim da tarde, depois das 16 horas. Eles preferem atacar aos sábados, picos de movimento, e às segundas e terças-feiras, quando a região recebe muitos ônibus de outras cidades e Estados, com turistas e comerciantes.

POLICIAMENTO

Neste mês, por causa da chegada do Natal, um contêiner de dois andares será instalado na Rua Lucrécia Leme e deverá funcionar como um posto da Polícia Militar. A PM informou por meio de nota que é esperada uma redução no número de ocorrências no mês de dezembro, por causa do policiamento.

O texto diz ainda que entre os dia 2 e 6 de dezembro de 2008 foram registrados 97 casos de furto só na Rua 25 de Março. Neste ano, nos cinco primeiros dias deste mês, as ocorrências do mesmo tipo foram apenas 30, de acordo com a PM.

O tenente coronel Orlando Taveiros Junior, comandante do 45º Batalhão da Área Centro, afirmou à reportagem que os consumidores que procuram a Rua 25 de Março podem fazer suas compras de Natal sem preocupações. Em dezembro, a região recebe diariamente 600 mil consumidores. Nos dias antes do Natal, esse número chega a 1 milhão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.