Queijo apreendido em Uberaba vai ser inutilizado

A Vigilância Sanitária (Visa) de Uberaba (MG) informou hoje que irá inutilizar as 16 toneladas de queijo tipo mussarela apreendidas ontem em um depósito clandestino no município do Triângulo Mineiro. O estoque foi localizado a partir de uma denúncia anônima, em uma ação que envolveu a Polícia Federal (PF) e técnicos da Visa municipal. A PF instaurou inquérito e vai investigar a eventual participação de empresas e pessoas físicas na comercialização ilegal do produto. "Tudo leva a crer, pela característica do produto e de como estava armazenado, que ele vai ser inutilizado", disse Emerson Mariano de Almeida, chefe de seção de fiscalização da Visa municipal. As toneladas de queijo estavam guardadas inadequadamente em câmara fria, a uma temperatura superior aos 10 graus centígrados, observou Almeida. Todo material deverá ser levado para o aterro sanitário da cidade. Os técnicos e policiais constataram que parte da mercadoria encontrada no depósito localizado no bairro Parque das Américas estava com prazo de validade já vencido ou prestes a vencer. O galpão clandestino não tinha registro da Receita Federal e nem alvará da Visa. A câmara fria foi lacrada e o local, interditado. O responsável pelo depósito clandestino foi identificado como Leonardo Alves de Lima, que escapou do flagrante. A suspeita da PF e da Visa é de que ele adquiria queijo com data de validade próxima do vencimento ou vencido em laticínios de Goiás e Minas Gerais e levava a mercadoria para Uberaba, onde trocava as embalagens vencidas por outras, com nova data de validade. A polícia acredita que a maior parte da mercadoria seria comercializada em São Paulo, mas não descarta a venda em Minas. No depósito foram encontradas embalagens de pelo menos sete marcas de laticínios, sendo seis de Goiás e uma de Minas Gerais. Muitas não continham número do lote, data de fabricação e de validade. Outras estavam fechadas apenas por presilhas ou amarradas. Alguns pacotes com o queijo mussarela também apresentavam apenas o registro do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) de Goiás. Nesse caso, o produto não poderia ser comercializado fora do Estado. "Tinha alguma coisa vencida, tinha alguma coisa mofada, tinha uma peça com caco de vidro", contou a zootecnista da Visa municipal Marília Penna Maciel.Os fiscais e agentes apreenderam também sacos de lixo com embalagens usadas. O material foi encontrado escondido no telhado de um cômodo do galpão. Foram encontradas ainda embalagens limpas com o nome fantasia "Triângulo Mineiro" - da fábrica de laticínios Doce Mineiro Ltda., em Canápolis (MG) - com vencimento em 21 de janeiro de 2008. Três homens que estavam no galpão prestaram depoimento na PF e um deles teria dito que caminhões costumavam deixar o galpão à noite carregando queijo com embalagem do laticínio de Canápolis. Na PF em Uberaba, a informação era que o delegado responsável pelo inquérito, Rogério Hisbeck, estava em oitiva e não poderia atender a imprensa.Clonagem Ricardo Figueira, diretor-administrativo da Doce Mineiro, confirmou que tinha relação comercial com Lima, mas o acusou de clonar o rótulo da fábrica. Figueira disse que já registrou dois boletins de ocorrência contra Lima, o mais recente há cerca de um ano, em outubro de 2006. Porém, confirmou que vendeu a ele, "dias atrás", cerca de "dois a três mil quilos" de mussarela. "Pouca coisa", afirmou. A PF trabalha com a hipótese de fraude nas embalagens. O delegado Ricardo Ruiz, que participou da ação de apreensão, descartou qualquer relação do episódio com a operação Ouro Branco, que desarticulou uma quadrilha de adulteração de leite na região. "A denúncia deve ter decorrido dela, mas não tem ligação nenhuma". O advogado Antônio Alberto da Silva, que representa Lima, disse que seu cliente vai se apresentar e negou as acusações de irregularidade no produto. Conforme o advogado, os produtos vencidos flagrados pela Visa e PF não seriam comercializados e a irregularidade do imóvel foi justificada com a alegação de que o galpão é novo. Em decisão conjunta, as vigilâncias sanitárias do município e do Estado suspenderam o envio de amostras do queijo para análises na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte. Um procedimento administrativo foi aberto com o objetivo de apurar eventual má-fé na distribuição no varejo de produto adulterado, clandestino, com características inadequadas para o consumo.

EDUARDO KATTAH, Agencia Estado

30 de outubro de 2007 | 20h02

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