Queimadas no Brasil podem afetar oceanos, sugere estudo

Cientistas estimam que a devastação da Mata Atlântica despeja até 70 mil toneladas de carbono negro na água

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h05

Restos de plantas carbonizadas na Mata Atlântica - consequência das queimadas - estão vazando do solo para rios, chegando ao oceano. A entrada desse resíduo (chamado de carbono negro) no ecossistema marinho pode prejudicar espécies animais e vegetais. Mais testes são necessários para confirmar a hipótese.

Os cientistas liderados pelo biogeoquímico Carlos Eduardo de Rezende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, no Rio, e pelo geoquímico Thorsten Dittmar, do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha em Bremen, na Alemanha, descobriu altos níveis de carbono negro no Rio Paraíba do Sul (que banha São Paulo, Minas e é o principal do Rio) e no solo da região.

No Vale do Paraíba, ainda há queimadas da cana-de-açúcar todos os anos, mas, segundo os pesquisadores revelaram no site da Nature Geoscience, apenas essa prática não poderia ser responsável pela quantidade de carbono negro que eles identificaram.

Para determinar quanto carbono negro a floresta queimada produziu originalmente, eles buscaram pistas em outro bioma, a Amazônia. Como outros estudos calcularam a taxa de carbono negro produzida por incêndios na floresta amazônica, os cientistas combinaram esses números aos índices históricos de queimadas na Mata Atlântica.

O resultado mostrou que foram emitidos de 200 milhões a 500 milhões de toneladas de carbono negro na Mata Atlântica. Para que apenas metade dessa quantidade seja expelida do solo, levariam de 630 a 2,2 mil anos.

O carbono negro geralmente escapa do solo quando a água da chuva carrega o material até os rios, que por sua vez despejam os resíduos no Atlântico.

Para calcular quanto de carbono pode estar sendo adicionado ao mar, foram coletadas amostras do Paraíba do Sul a cada 15 dias, entre 1997 e 2008. Foi descoberto que carbono negro dissolvido continua a ser expelido do solo todos os anos, em níveis aproximadamente constantes, durante a estação mais chuvosa.

Apenas o Paraíba do Sul é responsável pela entrada anual de mais de 2,7 mil toneladas no oceano. Com base nesses dados, estimou-se que toda a área devastada despeja anualmente de 50 mil a 70 mil toneladas. / AP

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