Queixas contra agências de viagem aumentam 28%

As reclamações feitas à Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP) contra agências de viagem cresceram 28% neste semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o Procon-SP, de janeiro a junho foram 2.086 queixas.

BRUNO PAES MANSO, CAMILLA HADDAD E TIAGO DANTAS, Agência Estado

06 de julho de 2012 | 09h55

A polícia paulista também investiga pelo menos seis golpes aplicados por operadoras a grupos de turistas só no último mês - na terça-feira, cerca de 160 estudantes tiveram a viagem de formatura para Cancún, no México, cancelada pela empresa Trip & Fun. As principais reclamações são suspensão de roteiro a poucas horas do embarque e problemas na hospedagem.

Para o professor de finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Adriano Gomes, a valorização do dólar pode ser responsável pelo aumento dos problemas entre prestadores de serviços e clientes. "As empresas colocam um preço indicativo em real, tendo o valor do dólar do período como referência. Com a valorização da moeda e o susto do cliente, o contrato tende a ser revisto."

Foi o que ocorreu na madrugada de terça, quando os estudantes de pelo menos seis escolas não puderam viajar. Na tarde de ontem, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, pais de alunos com viagem marcada para o fim do ano correram para sustar cheques após o sumiço dos funcionários da Trip & Fun, que não apareceram para reuniões com diretores de escolas atingidas pelo calote.

O 1.º Distrito Policial da cidade registrou dez boletins de ocorrência, o que permite que os cheques sejam devidamente sustados. Em Campinas, só ontem, pelo menos outras 50 pessoas foram ao 13.º DP registrar boletins. "Há viagens para o México, Bariloche (Argentina) e outros destinos. Tem muita gente vindo à delegacia, mas ainda não sabemos se vamos abrir inquérito para apurar crime doloso (com intenção), estelionato ou se a empresa faliu", disse o delegado José Roberto Soares.

Em São Caetano do Sul, no Colégio Arbos, pais também correram para sustar pagamentos de viagens marcadas para o fim do ano. Alunos da oitava série iam, por exemplo, para Atibaia.

Os donos da empresa, que não respondem aos pedidos de entrevista, alegaram aos diretores das escolas que a ausência ocorreu por medo de represálias dos pais dos alunos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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