Quem não tem dinheiro vai para a lan house

Para os amigos do Orkut, MSN e salas de bate-papo, ela é a Tacy Anjinha e Playboysinha. Viciada em internet, Taciane Monteiro, 19 anos, que está concluindo a oitava série, é frequentadora assídua da lan house Red Link, próxima à sua casa, na Rodinha, populoso bairro de Casa Amarela, na zona norte do Recife. "Aqui é praticamente a minha segunda casa", afirma ela.

ANGELA LACERDA, O Estadao de S.Paulo

13 Dezembro 2009 | 00h00

Tacy não tem condição de comprar computador e de contratar o serviço de internet. Ela já pensou em ser modelo. Agora descobriu que quer ser jornalista, repórter de televisão, para fazer coberturas sobre violência e drogas.

Convive com essa realidade e não perde um programa que aborda o assunto, além de se atualizar pela internet. "Violência, tráfico e consumo de drogas se espalham cada vez mais e tenho curiosidade de saber o que acontece e por que acontece."

Cliente de lan houses há dois anos, entra na web prioritariamente para conversar com os amigos de várias partes do País e até do exterior. Faz pesquisas para trabalhos da escola e gosta de jogar o videogame GTA - onde atira para matar.

Taciane tem consciência do atraso na escola e, pressionada pela mãe, Jackeline Monteiro, quer fazer um supletivo no próximo ano, para recuperar o tempo perdido. Começou um curso profissionalizante de web designer, e assegura que não vai dar bobeira como sua mãe e suas duas irmãs, que tiveram filho muito novas.

Com 39 anos, Jackeline tem quatro filhos e já é avó de dois netos. Ela reclama quando a filha chega tarde da lan house e bota limite diante dos gastos. Tacy gasta em média R$ 10 por semana. Com renda mensal em torno de R$ 1 mil, não dá para abusar. Em contrapartida, Taciane afirma que sua mãe "prefere a filha no computador da lan house do que na vadiagem".

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