Quem nunca?

"Entra meu amor/Fica à vontade/E diz com sinceridade/O que desejas de mim", canta Agnaldo Timóteo, para em seguida perguntar: "Por que essa música pode ser brega? Por que não foi feita pelo Chico Buarque?" A reflexão de Agnaldo serve bem para ilustrar o documentário Vou Rifar Meu Coração, de Ana Rieper, que estreia hoje (3). Com ela, Agnaldo defende, claro, sua música, assim como a de tantos outros que fazem parte desse gênero batizado de brega. Mas o filme não é isso. Não é uma compilação de artistas reclamando reconhecimento de maneira amarga - ao que a gente deve agradecer à diretora pela delicadeza.

O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2012 | 03h11

A defesa do gênero é apenas o pano de fundo dos depoimentos de ícones do brega. Wando, Amado Batista, Agnaldo Timóteo, Odair José, Nelson Ned e Lindomar Castilho (compositor da música que dá título ao filme) estão no documentário mais para explicar de onde veio o brega do que para provar que ele é bom.

'Vou Rifar Meu Coração' fala das idas e vindas do amor sem o glamour das novelas. "Todo mundo tem essa tendência de romantismo, independente de cor, raça, condição social. O amor está nas pessoas", afirma Amado Batista, para explicar o sucesso do brega.

E é partir da certeza de Amado que Ana parece ter partido para compilar uma grande - e interessante - sequência de depoimentos de pessoas, em sua maioria de origem humilde, que contam à diretora histórias iguais às das músicas que aparecem em seu documentário.

"Têm umas músicas bregas que passam, filhas de uma peste, com uma história igualzinha a da gente", conta uma das personagens de 'Vou Rifar Meu Coração'. São histórias de mulheres e homens traídos, abandonados, que se apaixonaram na 'zona', casaram com uma prostituta, têm duas famílias, ou que simplesmente sofrem ou ficam felizes por amor.

Histórias contadas com a verdade dos olhos, das dores e das alegrias. Com a verdade que cada um deles encontra nas músicas românticas dos artistas que estão no filme, já citados, e também nas de nomes que não poderiam faltar, como o mito Waldick Soriano. Dispa-se de preconceitos e descubra que você também é brega. Só não é quem nunca amou. Douglas Vieira

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