'Quem tem medo da autonomia dos colégios?'

Para educador português, modelo permite uma escola mais eficaz, barata e sem burocracias

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2013 | 02h09

Antes de pensar em soluções tecnológicas, o passo inicial para uma educação de qualidade é a garantia da autonomia das escolas. É o que defende o educador José Pacheco, idealizador da Escola da Ponte, em Portugal - referência a praticamente todos os projetos de inovação na sala de aula. O novo modelo de escola do Rio, o Gente, é um dos exemplos recentes de forte inspiração no trabalho do educador.

Segundo Pacheco, qualquer escola pode ter Ideb 10 se tiver autonomia. "Significa tornar a educação mais barata, eficaz, colocar a pedagogia acima da burocracia." Verbas de merenda, transporte escolar e contratação de professores, por exemplo, ficam sob responsabilidade da escola e da comunidade.

O português ressalta que o Brasil tem bons modelos, mas experiências de outros países não podem ser ignoradas. "Não adianta pensar em novas tecnologias e insistir em erros como sistema de aulas e classes", afirma.

Com um projeto em que não há aulas, divisão por séries ou idade, a autonomia do aluno sempre foi a peça-chave da Escola da Ponte. Criada em 1976, foi a primeira do mundo a ganhar autonomia administrativa. No Brasil, estabelecer a autonomia na escola nada mais é do que cumprir a legislação, diz ele, citando a Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

Desde o ano passado, o educador participa do comando do projeto Âncora, em Cotia, Grande São Paulo, baseado nos mesmos princípios da Ponte. Gerido por uma ONG, atende gratuitamente alunos carentes. A direção já encaminhou pedido às secretarias municipal e estadual: quer ser pública, mas com autonomia. Sem revelar a cidade, ele diz que o Brasil está próximo de ter um modelo de escola pública autônoma. E provoca: "Não convém a certas pessoas que as escolas possam gerir suas verbas. Porque burocracia gera corrupção. Então, quem tem medo da autonomia?"

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