EUA reforçam segurança de seu teste

Órgão responsável pelo SAT, prova obrigatória para ingressar em universidade, contrata ex-diretor do FBI para criar estratégia contra fraude

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2011 | 03h02

Com mais de um século de história na vida dos americanos que concluem a high school (ensino médio), o SAT, como é denominada a prova que todos os estudantes dos EUA precisam fazer para entrar na universidade, também enfrenta denúncias de fraudes - como ocorreu com a prova do Enem, que teve 13 questões antecipadas num simulado aplicado por um colégio de Fortaleza (CE).

Nesta semana, depois da descoberta de que sete estudantes pagaram para um universitário fazer as provas em seus lugares no Estado de Nova York (mais informações nesta página), o College Board, responsável pelo SAT, anunciou a contratação de um ex-diretor do FBI (polícia federal dos EUA) para ajudar na segurança da realização dos próximos testes, marcados para novembro.

De acordo com o College Board, cerca de 2 mil resultados das provas são anulados anualmente, depois de suspeitas de fraude. O número é menos de 0,1% do total de 2,25 milhões de provas realizadas por ano nos EUA e outras partes do mundo.

Como os alunos podem escolher o local onde realizarão a prova, fica mais difícil o controle. Uma das medidas estudadas por Louis Freeh - o ex-diretor do FBI que hoje dirige uma consultoria de risco global na área de segurança - seria um reforço na identificação dos estudantes, como o uso de digitais e câmeras. Mas ela esbarra na oposição de muitos americanos, que a consideram uma invasão de privacidade.

Normalmente, quando existe suspeita de que alguém colou ou fraudou o resultado, mesmo sem evidências, o College Board anula a nota. Porém, concede o direito de o estudante fazer o exame novamente sem custos. Caso um aluno seja flagrado colando ou infringindo as regras, aí sim pode ser até preso.

Controle. Por ser realizado por milhões de estudantes, o SAT está sujeito a mais fraudes. O mesmo não acontece com outros exames do Serviço de Exames Educacionais (ETS, na sigla em inglês), empresa que administra os testes em parceria com o College Board. O Toefl, Gmat e GRE possuem dezenas de datas ao longo do ano, em 4,5 mil centros em 165 países.

Essas provas são distintas para cada um dos alunos e feitas em computadores. Tanto as questões quanto as respostas são administradas por meio de um rígido controle na internet, segundo um porta-voz da ETS disse ao Estado. São raros os casos de suspeitas de fraude. Já o SAT ainda é feito com papel e caneta e com perguntas semelhantes para todos e complicações pela distribuição física dos exames.

O SAT consiste de três partes - leitura, escrita e matemática, cada uma valendo 800 pontos -, dura 3h45, no máximo, e em geral é realizado no penúltimo ano do ensino médio.

A nota da prova não define se um estudante será aceito ou não em uma universidade. Diversos escritórios de admissão deixam claro que este é apenas um de vários itens analisados, como as notas na escola, cartas de recomendação de professores, a qualidade do colégio em que estudou, redação com uma breve biografia e atividade extracurriculares. Mas instituições como Yale, Stanford, Columbia e MIT praticamente eliminam os estudantes que não obtiverem ao menos 80% dos 2,4 mil pontos totais.

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