Quênia permanece calmo após decisão judicial sobre eleição

A polícia do Quênia entrou em confronto neste domingo com algumas dezenas de manifestantes revoltados contra uma decisão judicial que confirmou a eleição do presidente Uhuru Kenyatta, mas o protesto foi insignificante se comparado com os enfrentamentos sangrentos ocorridos em todo o país depois da disputada eleição anterior, em 2007.

Reuters

31 de março de 2013 | 11h36

Houve poucas evidências de violência. Uma das exceções foi Kisumu, cidade no oeste do Quênia onde é forte o apoio ao primeiro-ministro Raila Odinga, derrotado na eleição presidencial.

Kisumu e outras regiões foram devastadas por distúrbios que causaram muitas mortes depois da eleição de 2007.

Em Kisumu, duas pessoas foram mortas a tiros e lojas saqueadas no sábado, depois que a Suprema Corte declarou que Kenyatta venceu de modo limpo a eleição de março. Mas mesmo Kisumu estava calma na maior parte neste domingo e os distúrbios se limitavam à partes da periferia.

Os quenianos de modo geral vêm dizendo que estão determinados a evitar a repetição da violência ocorrida cinco anos atrás, que deixou mais de 1.200 mortos e prejudicou a economia do país, a maior do leste da África.

Para os quenianos, a atmosfera mais calma desta vez resulta em parte de uma confiança bem maior no Judiciário reformado que decidiu a questão da eleição presidencial, realizada em 4 de março, e também porque Odinga foi rápido em aceitar plenamente o veredicto, apesar de seu desapontamento.

Kenyatta deve ser empossado em 9 de abril.

"Nosso líder reconheceu a derrota. Quem vai para as ruas?", indagou Elijah Onyango, 27, em Kisumu. "A vida tem de continuar, com ou sem Raila. Somos apenas cidadãos pobres que têm de lutar para colocar comida na mesa."

Em Nairóbi, a polícia foi chamada para desarmar uma bomba deixada em um microônibus em um subúrbio residencial, segundo um policial e uma testemunha ouvida pela Reuters. Não ficou claro se havia ligação com a eleição.

A votação pacífica e a contestação judicial, seguindo a ordem legal, ajudaram a restaurar a imagem do Quênia como uma das democracias mais estáveis da África.

(Por Edmund Blair e Hezron Ochiel)

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