Queres tomar um amargo?

Entre na roda e espere ela girar, respeitando o sentido. E tome até fazer barulho, porque deixar restinho é gafe

03 de junho de 2010 | 08h01

Tradição. Mate bom, é mate puro, sem adição de açúcar ou leite. Foto: Alex Silva/AE

 

 

Puxe o banco e sente, enquanto a chaleira chia e o Paladar ceva o amargo do chimarrão para você. E, já que adaptamos o verso de Cevando o Amargo, do gaúcho Lupicínio Rodrigues, acrescentamos uma outra recomendação: faça-o numa roda de amigos, porque tomar chimarrão é amistoso, agregador, embora se possa, é claro, saboreá-lo sozinho.

 

"É na roda de mate que a tradição do chimarrão tem um significado muito especial, por agrupar pessoas, sem distinção de raça, credo ou poder econômico. Mas há ainda o mate solito e o de parceria", explica o cantor Ernesto Fagundes, apresentador do programa A Hora do Mate, transmitido diariamente pela Rádio Rural, de Porto Alegre.

 

Traço comum entre gaúchos e "gauchos" - unidos por um mesmo Pampa, mas separados pelas fronteiras entre Brasil, Uruguai e Argentina -, o chimarrão, como outras infusões, tem lá suas cerimônias e regras. Água quente? Sempre. Fervendo? Jamais.

 

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A água muito quente queima a erva e estraga o sabor. A temperatura correta para o mate é de 65ºC - mas como ninguém fica conferindo com termômetro, é só tirar a chaleira do fogo no primeiro chiado.

 

Bem, o ideal gaúcho pede água aquecendo na chaleira enquanto se toma o amargo, mas a praticidade da garrafa térmica está se impondo. Afinal, foi ela quem libertou o chimarrão da roda de fogo e deu mobilidade à bebida, que passou a ser levada a escritórios, escolas, praças e à praia - sim, gaúcho toma chimarrão até à beira do mar no calor de fevereiro, o mês do veraneio no Estado. Qualquer local vale e toda hora é hora.

 

Mas não ouse fazer invenções com o mate, como adoçar ou pôr leite. Isso é ofensa das mais graves, assim como pisar no poncho - como se diz lá no Rio Grande do Sul.

 

 

 

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