Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Querido, um B&B brasileiro em Buenos Aires

Ricardo Freire, turista.profissional@grupoestado.com.br,

10 de fevereiro de 2011 | 08h00

 

 

Nesta época de invasão verde-amarela a Buenos Aires, os brasileiros constituem a maioria dos hóspedes dos hotéis turísticos. Em qualquer três-estrelas do centro da cidade, recepcionistas, mensageiros e até camareiras já se comunicam conosco em português - mesmo que tenhamos iniciado a conversa em espanhol.

 

Num hotelzinho a quinze minutos de táxi da calle Florida, porém, a presença brasileira não se limita ao lado de cá do balcão. Aberto há pouco menos de um ano, o Hotel Querido, em Villa Crespo, é o primeiro bed & breakfast montado por brasileiros - ou, vá lá, por uma brasileira e seu marido inglês. Mariana Pereira é uma publicitária de Salvador que desembarcou em Buenos Aires em 2005 para fazer uma especialização em gestão cultural. Alaistair "Ali" Mason, um profissional de relações-públicas, chegou em 2003 depois de um mochilão pela América do Sul e nunca mais quis sair. Juntos, compraram uma casa num bairro barato mas bem localizado, que demoliram para construir o predinho de três andares em que funciona o hotel.

 

Sui generis. O resultado é bastante fora dos padrões. O clima é de bed & breakfast, sem os inconvenientes comuns ao gênero: como não funciona num casarão adaptado, mas num pequeno edifício projetado para receber hóspedes, o Querido oferece confortos como elevador, cama box, ar split, calefação individual e acessibilidade. Mas não espere encontrar aquela impessoalidade-design dos hotéis-butique de Palermo Soho, o badalado bairro vizinho, a apenas 5 quadras dali. O Querido tem astral de pousada - no que combina perfeitamente com Villa Crespo, que ainda não perdeu as características originais de bairro.

 

Por enquanto há cinco apartamentos disponíveis - todos compactos, com diárias entre US$ 90 e US$ 100 (os mais caros, com sacada). No carnaval um sexto apartamento será aberto - e até o fim do ano, mais dois, depois que Mariana e Ali se mudarem para uma casa ali perto. No térreo, o salão de café da manhã é integrado à cozinha, que pode ser usada pelos hóspedes. A ocupação tem sido excelente; não é raro o hotel estar totalmente lotado. E aqui começa a parte mais interessante da história: o Querido é um hotel que estourou nas redes sociais.

B&B 3G. Mariana e Ali compraram a casa em 2007, mas a obra do prédio só começou em agosto de 2008 - e, como toda obra que se preze, arrastou-se por muito mais tempo do que o imaginado. Um ano depois de iniciar os trabalhos, e ainda sem hotel para abrir, Mariana teve uma ideia: criar um blog.

 

Nascia o MyVillaCrespo.com (título oficial: Buenos Aires, queridos). Nele Mariana ia registrando as alegrias de morar em Buenos Aires e os progressos na construção do hotel. De quebra, começava a incluir o nome de Villa Crespo - um bairro totalmente desconhecido fora de Buenos Aires - no repertório de viajantes brasileiros descolados. Com o tempo - e todo blogueiro de viagem brasuca sabe que como isso acontece - seu blog virou um salva-vidas para brasileiros programando viagens para a capital argentina. Mariana passou a responder perguntas e fazer amigos.

 

No dia 20 de abril do ano passado, quando anunciou que o hotel abriria em maio, Mariana fechou imediatamente sete reservas. A reserva número 1 foi feita pelo blogueiro gaúcho Marco Cavalheiro, que se tornou um dos maiores fãs do B&B. Os primeiros hóspedes iniciaram não só a propaganda boca a boca, como os comentários positivos no TripAdvisor. Em pouco tempo, o Querido estava cotado como o melhor quarto bed & breakfast de toda Buenos Aires pelos leitores do site. Em outubro, o Guardian inglês listou o B&B numa seleção de 10 pousadas bacanas na América do Sul. E a todas essas, Mariana continua socorrendo brasileiros aflitos no blog e produzindo posts sobre compras, câmbio, como arrumar a mala para ir a Buenos Aires... se não saísse no Viagem, o Querido poderia muito bem sair no Link.

 

"Palermo Outlet". Quando decidiram fazer um hotel em Villa Crespo, em 2007, o bairro tinha apenas dois outlets. Hoje há todo um polo de outlets irradiado a partir da esquina de Gurruchaga com Aguirre (a duas quadras do hotel). Na outra extremidade do bairro, a calle Murillo concentra lojas especializadas em produtos de couro a preços de fábrica. Há quem queira batizar o bairro de "Palermo Outlet". Outros, mais infames, tentam lançar o nome "Palermo Queens". Os moradores do bairro, no entanto, já fizeram protestos de rua contra os marqueteiros. Fora dos quarteirões ocupados pelos outlets, Villa Crespo continua sossegada, habitada por gente de verdade e ciosa de suas tradições. As sinagogas e os produtos kasher vendidos nas padarias, açougues e mercearias lembram que o bairro ainda é um importante reduto judaico. Depois que os outlets fecham, contam-se nos dedos os lugares que atraem forasteiros.

 

Mas não é preciso recorrer sempre a Palermo para comer ou beber. Dá para sair caminhando do hotel até um restaurante que é um dos ícones de Buenos Aires, o Sarkis, de comida armênia (Thames, 1101; tel. 00-54-11-4772- 4911). Também ali perto, uma antiga fábrica de massas caseiras tornou-se um cultuado restaurante italiano, o Salgado (Ramíres de Velazco 401, tel. 00-54-11-4854-1336).

 

Para quem quer um ambiente moderninho sem sair do bairro, a pedida é o 878, um bar secreto, sem nome na porta - mas reconhecível pelo segurança tipo armário (Thames, 878, tel. 00-54-11-4773- 1098). E um sinal de que a palermização talvez seja inevitável está na charmosa confeitaria El Malvón, que abriu há pouco e é dos mesmos donos do Green Bamboo de Palermo Hollywood (Serrano 789, tel.0 0-54-11-3971- 2018).

 

 

 

 

Internet para viagem

buenosairesdreams.blogspot.com. O gaúcho Marco Cavalheiro é um apaixonado por Buenos Aires, onde passa todos os anos duas temporadas de 15 dias. Deixe-se guiar por uma Buenos Aires que vai muito além das compras e dos pontos turísticos - e leia também relatos e entrevistas com outros brasileiros habitués da cidade

 

 

 

 

Dossiê

Quatro vezes tango

 

 

Centro Cultural Borges

Não quer gastar uma fortuna para ver tango bem tocado, bem cantado e bem dançado em Buenos Aires? Então vá direto ao shopping Galerías Pacífico e siga as placas para o Centro Cultural Borges. A casa apresenta shows de tango praticamente todas as noites - e ainda é possível comprar entradas para o mesmo dia, por a partir de 50 pesos (R$ 22). Os ingressos das filas da frente custam meros 100 pesos (R$ 44).

 

Bar Sur

O ambiente é pequeníssimo, numa esquina de San Telmo não muito longe da praça da feira. Os sets se sucedem entre 20 e 2 horas; não é preciso comprar ingresso. Os bailarinos dançam à sua frente (e tiram você para dançar). É possível pedir tangos à banda e ao cantor. O que falta em produção sobra em simpatia e bom humor. O show, sem jantar, sai 200 pesos (R$ 88). 

 

 

El Querandí

Não é tão intimista quanto o Bar Sur, mas também está longe do gigantismo dos megashows. Uma banda enxuta (com uma bandeonista mulher) e três casais de bailarinos dão conta da história do tango em números bons de coreografia e dramaturgia. O clip de cenas de Hollywood em que os personagens dançam tango é o máximo. Com jantar, US$ 115; sem jantar, US$ 75.

 

 

Rojo Tango

O mais classudo dos shows de tango de Buenos Aires é apresentado no cabaré do hotel Faena. Sensual do início ao fim, mas sem nunca cair no mau gosto. A banda é jovem e tem dois bandeonistas - pegar uma mesa perto dos músicos é quase tão emocionante quanto se sentar na fila do gargarejo. Com jantar, a noitada custa US$ 200; sem o jantar incluído, US$ 140.

 

 

 

Bill Cash

Sempre inventando motivos para extrapolar o seu orçamento

 

"Muita gente está voltando de Buenos Aires horrorizada com os preços nominais dos restaurantes. De fato, a inflação argentina está comendo solta. Mas se você sair para jantar num bom restaurante em São Paulo antes de viajar, vai continuar achando tudo baratinho por lá... "

 

 

 

Veja também:

linkNa Grécia, mosteiros em um cenário inesperado

linkDuelo de montanhas

link Baladas, alta gastronomia e, claro, muita adrenalina

linkPistas e atrações para todos os gostos na Aspen das celebridades

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.