Quirguistão promete manter referendo, apesar de distúrbios

O governo provisório do Quirguistão prometeu na quinta-feira manter a realização de um referendo constitucional neste mês, apesar da tensão no país após a pior onda de violência étnica em 20 anos nesta estratégica ex-república soviética da Ásia Central.

OLGA DZYUBENKO, REUTERS

17 de junho de 2010 | 09h27

A Organização das Nações Unidas alertou que a turbulência no Quirguistão pode acabar beneficiando os militantes islâmicos da Ásia Central. O país é quase vizinho do Afeganistão, além de estar numa importante rota internacional do narcotráfico. Ali existem bases militares da Rússia e dos EUA.

O Quirguistão vive momentos de turbulência desde abril, quando uma rebelião popular derrubou o presidente Kurmanbek Bakiyev. Desde o último dia 10, pelo menos 191 pessoas morreram em confrontos étnicos entre quirguizes e uzbeques no sul do país. Alguns observadores na região estimaram o número de vítimas fatais em quase mil.

A violência diminuiu nos últimos dois dias, mas até 100 mil pessoas já fugiram de suas casas e montaram campos de refugiados no vale do Ferghana, fronteira com o Uzbequistão.

Esse fluxo de refugiados complica a organização do referendo de 27 de junho, destinado a definir o futuro do país, formalizar o novo governo e abrir caminho para reformas. O novo governo disse que manterá o referendo.

"A situação em Osh (epicentro dos distúrbios) está se estabilizando. Temos forças suficientes", disse o vice-premiê interino Azimbek Beknazarov a jornalistas em Bíshkek, a capital.

"Temos de realizar (o referendo) e entrar num campo legal. Precisamos disso como de ar. Todo mundo que se diz cidadão quirguiz deve votar no referendo."

A Rússia e o Ocidente temem que a instabilidade no país crie um refúgio para militantes internacionais e locais.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, conversou por telefone na quinta-feira com a presidente interina, Roza Otunbayeva, para discutir o conflito, disse o governo provisório quirguiz em nota. O secretário-assistente Robert Blake deve visitar Bíshkek na sexta-feira. Antes, Otunbayeva havia falado com o presidente russo, Dmitry Medvedev.

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