Raça, gênero e classe dividem democratas na eleição dos EUA

Já virou lugar-comum dizer queHillary Clinton atrai eleitores mais velhos, mulheres e brancossem nível superior, enquanto Barack Obama é o candidato dosjovens, dos negros e da elite na disputa democrata pelaindicação à Casa Branca. Maggie Lauria, de 58 anos, é a própria encarnação dessatendência. "Para nós, mulheres, chegou a nossa hora", dizia elana quarta-feira num comício de Hillary em Shepherdstown, naVirgínia Ocidental. As diferenças ditas "demográficas" entre o eleitorado podemser explicadas pelo fato de que as pessoas tendem a escolher ocandidato que mais se parece com elas. Na primária de terça-feira em Indiana, por exemplo, ondeHillary venceu por 51 a 49 por cento dos votos, as pesquisas deboca-de-urna mostram que Obama teve cerca de 60 por cento dosvotos entre eleitores com menos de 30 anos, enquanto Hillaryteve cerca de 70 por cento entre os maiores de 65. Ainda em Indiana, segundo essas pesquisas, Hillary teve 60por cento dos votos dos brancos, enquanto Obama conquistou 90por cento do eleitorado negro. Já a divisão entre a classe operária e os mais instruídosintriga os analistas. "Acho que é meramente um acidente dahistória o fato de que a retórica de Obama --que deveria ter umapelo geral-- tenha maior ressonância entre aqueles maissedentos por mudanças. E por acaso estes são as elites liberais[esquerdistas, no contexto norte-americano], frustradas com osoito anos de governo Bush", disse Chapman Rackaway, professorde Ciência Política da Universidade Estadual Fort Hays, doKansas. Tanto Hillary quanto Obama frequentaram as melhoresuniversidades --ela, Wellesley; ele, Harvard-- e atualmenteestão ricos. Obama, criado pela mãe solteira, teve uma infânciamais humilde, mas nunca nenhum dos dois precisou fazertrabalhos braçais para pagar as contas. Além disso, suas posições políticas são parecidas a pontode serem indistinguíveis para o eleitor médio. "Quando as políticas são quase idênticas, os eleitores têmde se voltar para outros lugares, e vão se voltar para coisascomo o caráter e as origens comuns", disse James Campbell,professor da Universidade Estadual de Nova York-Buffalo, autordo livro "The American Campaign" ("A campanha americana"). Campbell acredita que Obama foi rotulado como "elite"apenas porque têm mais votos nos campi universitários. O fatode ter sido criado por uma mãe solteira ficou em segundo plano,enquanto sua passagem por Harvard acabou ganhando destaque. Já Hillary se apresentou como defensora da classetrabalhadora, um eleitorado que ficou órfão com a saída dadisputa do senador John Edwards. O rótulo de "elitista" prejudica Obama, mas o enormeentusiasmo dos jovens mantém sua campanha de vento em popa. JáHillary, se não tem o voto jovem, pode contar com o apoio demuitos sindicalistas, que são considerados uma presença maissegura no dia da votação. Como favorito, Obama alterou sua retórica para seduzir aclasse trabalhadora, disse Bryan Jones, diretor do Centro paraa Política e as Políticas Públicas Americanas, da Universidadede Washington. "Ele vai ganhar mesmo assim, mas vai ser duro. Ele resolveuir atrás um pouco tarde", afirmou. (Reportagem adicional de Jeff Mason)

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