Racismo persiste devido à indiferença, diz estudo

Segundo os pesquisadores, esta indiferença ajuda a explicar por que o racismo persiste nos Estados Unidos

Efe,

08 Janeiro 2009 | 18h30

As atitudes racistas persistem no mundo porque seus mais ferrenhos detratores reagem com indiferença aos atos de discriminação étnica, afirma um estudo divulgado nesta quinta-feira, 8, pela revista Science. As indicações não soam especialmente importantes para os Estados Unidos, às vésperas da posse de Barack Obama, o primeiro presidente negro de sua história. Esta indiferença ajuda a explicar por que o racismo persiste nos Estados Unidos, um país com história recente vinculada a este fenômeno, segundo os pesquisadores da Universidade de Yale (EUA.) e das universidades de York e British Columbia, no Canadá. "A eleição de um negro não significa que tenha morrido o racismo ou que o povo já não tolerará os atos de discriminação étnica", manifestou Kerry Kawakami, professor de psicologia da Faculdade de Saúde da Universidade de York. Como prova, os cientistas indicam que nos Estados Unidos os atos de racismo flagrante contra os negros ainda ocorrem com alarmante regularidade, apesar do estigma que é ser considerado racista em uma sociedade moderna. "As pessoas acreditam estares livres de preconceitos e se indignam e prometem tomar medidas contra o racismo", diz Kawakami, que dirigiu o estudo. "No entanto, descobrimos que suas reações são muito mais fracas, quando enfrentam comentários abertamente racistas", acrescentou. No estudo, 120 participantes não-negros que escutaram termos depreciativos referidos a um negro não se manifestaram irados nem reagiram contra esses comentários racistas como haviam dito. O incidente utilizado para determinar essa reação foi um leve golpe que um homem negro deu ao passar por um homem branco. Depois que o homem negro abandonou o lugar, o branco exclamou: "odeio quando os negros fazem isso...negro trôpego". Os participantes que não estavam no local do incidente reagiram indignados, mas os que o experimentaram diretamente se mostraram muito menos alterados e até disseram que não teriam inconvenientes em trabalhar com essa pessoa. Para Elizabeth Dunn, psicóloga da Universidade de British Columbia, as pessoas controlam suas reações negativas perante um comentário racista por considerá-lo "uma brincadeira ou um comentário inofensivo".

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