Rádio foi força negativa e positiva no massacre de Ruanda

BBC criou programa para ajudar refugiados a ser reunir com suas famílias.

BBC Brasil, BBC

11 de dezembro de 2007 | 10h30

A capacidade da BBC de responder a eventos em todo o mundo ficou ainda mais evidente no genocídio ocorrido em Ruanda, em 1994.A tradicional tensão entre tutsis e hutus explodiu em uma matança sem precedentes depois que o avião que levava os presidentes de Ruanda e do vizinho Burundi foi derrubado.Hutus iniciaram uma onda de violência contra tutsis. Em resposta, a Frente Patriótica Ruandesa, liderada pelos tutsis, lançou uma campanha militar para assumir o controle do país.Os rebeldes tomaram o controle do país em três meses, mas nesse período 800 mil tutsis e hutus moderados foram mortos.Em seguida, 2 milhões de hutus, muitos envolvidos diretamente no massacre, fugiram para o vizinho Zaire, a atual República Democrática do Congo.Nesse conflito, o rádio teve papel crucial. No início da crise, hutus usaram o rádio para provocar a violência contra tutsis. Depois da mudança de poder, a estação ruandesa Mille Collines transmitia propaganda contra os hutus, responsabilizados pelo início da violência.A pedido de organizações de ajuda, a BBC ajudou a restaurar o equilíbrio.Produtores dos serviços em francês e Swahili, que falavam as línguas da região, kiyarwanda e kirundi, trabalharam com a Cruz Vermelha para criar uma linha de comunicação para os milhões que tiveram que deixar suas casas, com informações detalhadas sobre os desaparecidos.O serviço da BBC para os Grandes Lagos começou a ser transmitido a partir dessa linha de comunicação em 15 de setembro de 1994, pouco depois do genocídio.Foi Neville Harms, na época, chefe do serviço em swahili, que teve a idéia de estabelecer o projeto para ajudar o povo de Ruanda durante a crise.Burundi também foi incluído, por abrigar milhares de refugiados.A primeira transmissão, BBC Gahuzamiryango - "o que reúne famílias" -, era um programa de 15 minutos que tinha como objetivo reunir as famílias separadas.Os produtores de Ruanda e Burundi, que já trabalhavam no serviço em swahili, foram os pioneiros, passando parte do dia trabalhando no programa.Além deste projeto, a BBC passou a transmitir também boletins de notícias de três minutos de duração para a região dos Grandes Lagos.Este novo serviço foi financiado, inicialmente, por entidades como a Cruz Vermelha Internacional, a Oxfam, a Save the Children e o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, entre outras.O programa transmitia os nomes das crianças que procuravam seus pais e mensagens de refugiados morando nos campos da Tanzânia, Congo e Burundi, que estavam tentando encontrar familiares.Com a melhoria na situação, muitos refugiados voltaram para casa e a maior parte das crianças foi reunida com suas famílias.Como resultado, as ONGs suspenderam o financiamento. Mas, como o projeto era a única transmissão de rádio confiável e independente na região dos Grandes Lagos, o Serviço Mundial decidiu transformá-lo em um serviço de língua oficial.Ele hoje transmite para a região dos Grandes Lagos (Ruanda, Burundi, leste do Congo, oeste da Tanzânia e oeste de Uganda) por 30 minutos diários em Kinyarwanda e Kirundi e permanece essencial para grande parte da população. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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