Rafael é o nome

Uma estrela nova recebendo as graças de uma constelação. Foi o que pensei quando vi Gastón Acurio, o premiado chef peruano, jantando com amigos numa mesa de canto no Rafael, restaurante de Rafael Osterling, em Lima.

CLÁUDIA BELFORT , O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2011 | 03h09

Osterling não chega a ser exatamente um iniciante. Nos anos 90 fez Cordon Bleu, em Paris, onde cozinhou no Grand Véfour e tem passagens por algumas casas de Londres. Há dez anos abriu o Rafael, e em 2010, uma premiação local o apontou como o melhor chef de Lima, deixando Acurio em segundo.

Instalado numa esquina do charmoso bairro de Miraflores, em meio a casas de andar térreo de arquitetura espanhola, o restaurante faz o estilo chique e despretensioso. O serviço é invisível, quase não dá para perceber a presença dos garçons, mas eles estão ali, atenciosos e silenciosos.

Peixes e frutos do mar predominam entre as 39 opções de pratos principais e 22 entradas. Estávamos em três e pedimos "ceviche galáctico" de linguado com marisco, carne de caranguejo e creme de ají; um tiradito, também de linguado, ao rocoto (pimenta pequena e adocicada), molho de camote (batata-doce) e grãos de milho; e um foie gras com figo e alcachofras.

Começamos com o foie gras, uma entrada em perfeito equilíbrio. Na sequência, foi o próprio Rafael quem trouxe o tiradito e o ceviche: só tive tempo de ver seus braços de lenhador pousarem os pratos, logo sumiu, silencioso.

No ceviche pouco cítrico, o ají abriu o sabor do linguado, ao mesmo tempo em que impediu que o aroma do peixe colasse no fundo da boca. O tiradito, por sua vez, dá para comer de olhos fechados e imaginar que nada há no mundo além da boca e aquele prato. O peixe dissolve na boca e deixa de lembrança a combinação suave do camote e do milho.

Se alguém acha que o Peru é apenas Machu Picchu e Gastón Acurio, ponha o Rafael na lista, não necessariamente nessa ordem.

Rafael. Calle San Martin, 300, Miraflores, Lima, 0/xx/51 1 242- 4149

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