Rali de alta para bolsas dos EUA pode ter terminado

Sinais de melhora na economia dos EUA e a injeção de liquidez do Banco Central Europeu (BCE) melhoraram as expectativas para os principais índices das bolsas norte-americanas, mas a maior parte dos ganhos pode ter terminado após um forte rali, mostrou uma pesquisa da Reuters com analistas de mercado.

* S&AM, REUTERS

29 Março 2012 | 11h53

Os níveis das previsões para o fim de 2012 aumentaram mais de 6 por cento em comparação com as feitas no ano passado antes de as bolsas postarem o melhor primeiro trimestre em 14 anos.

A mediana das previsões para o Standard & Poor 500 no fim de 2012 está agora em 1.427 pontos, em comparação com 1.340 em dezembro. Isso representa um ganho previsto de 13 por cento este ano, de acordo com a previsão média dada pelos 40 entrevistados ao longo da semana passada.

Mas como o mercado já tem uma alta acumulada de quase 12 por cento, pode haver pouco espaço para novos ganhos. O aumento projetado de 1,5 por cento de agora até o fim do ano é o mais fraco entre os 20 índices de ações em todo o mundo considerados pela pesquisa da Reuters.

Ainda assim, isso segue um rali que fez deste primeiro trimestre o melhor desde 1998 e elevou o S&P 500 em mais de 30 por cento em relação às mínimas atingidas em outubro.

Grande parte do rali foi atribuída aos sinais de melhora no mercado de trabalho dos EUA, assim como à remoção de um risco imediato de uma crise bancária pelo BCE, que adiantou empréstimos para bancos da região.

"Este não é um ano de crescimento econômico ou de lucros, é de redução dos temores", afirmou o estrategista-chefe de ações na BlackRock, Bob Doll.

Doll estima 1.350 pontos para o S&P 500 no fim do ano, mas afirmou que o índice poderá subir até 1.550 se as condições melhorarem.

"Se a Europa permanecer na primeira página e as coisas permanecerem aceitáveis no Oriente Médio, podemos acrescentar 10 por cento", disse ele.

A taxa de desemprego dos EUA caiu para 8,3 por cento, ante 9 por cento em setembro, o que deu suporte ao mercado. Porém, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central), Ben Bernanke, afirmou nesta semana que dados recentes podem ser muito otimistas, sugerindo que políticas monetárias acomodativas deverão ser mantidas.

BOLHAS DE SABÃO

Os investidores têm a tendência de extrapolar a experiência recente para o futuro, um fenômeno bem conhecido pelos especialistas do mercado.

O estrategista-chefe de mercado no Barclays, Barry Knap, acredita que as expectativas econômicas estão fora da realidade. Ele acredita em uma correção de um dígito no segundo trimestre, dizendo que uma parte da melhora no mercado de trabalho dos EUA foi "emprestada" do futuro por causa do inverno quente.

"Nós não acreditamos que o cenário econômico esteja melhorando como os mercados estão expressando neste momento", afirmou. "Toda a conversa sobre o cenário econômico ter melhorado começou a se dissipar. Já vemos algumas evidências de pressão no consumo final; coisas como vendas de alimentos foram bem fracas."

Sua previsão para o S&P no fim do ano é de 1.330 pontos, 5 por cento abaixo dos níveis atuais.

Knapp afirma que a campanha para as eleições presidenciais em novembro podem prejudicar o consumo e a confiança empresarial, com a disputa de políticos em assuntos como impostos e gastos.

Além disso, o alto preço do petróleo vai atingir os consumidores, o efeito da política monetária mais branda vai desaparecer e os resultados do primeiro trimestre vão desapontar, afirmou ele.

A temporada de resultados das empresas no quarto trimestre foi a pior desde 2008 em termos de companhias batendo as estimativas.

"Em abril, haverá evidente pressão nas margens em alguns setores dos EUA sensíveis ao consumo", afirmou Knapp.

Isso ajuda a explicar por que estrategistas veem o mercado movendo "de lado" nos próximos três meses. A expectativa para o meio do ano para o S&P é de 1.368 pontos, um leve declínio ante o fechamento de quarta-feira, de 1.405 pontos. Espera-se que o Dow Jones suba cerca de 100 pontos, para 13.200, segundo a pesquisa.

Preços de petróleo são uma importante carta para os mercados, já que estes dependem da percepção da possibilidade de um conflito no Oriente Médio. O contrato de petróleo nos EUA já subiu 8,5 por cento neste ano, atingindo um valor acima de 110 dólares o barril.

Para alguns isso já é muito alto, e um choque similar ao visto no ano passado poderia atingir consumidores e mercados.

"Se o dado está correto, nós já estamos vendo destruição da demanda por altos preços da gasolina", afirmou o estrategista-chefe de mercado na Ameriprise Financial, David Joy.

Joy afirmou que o petróleo poderá se tornar um problema se os preços subirem acima de 115 dólares o barril.

Mais conteúdo sobre:
RALI DE ALTA PARA BOLSAS DOS EUA PODE TER TE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.