Reajuste do diesel agrava dificuldades logísticas da agrícultura

O aumento do preço do diesel concedido pela Petrobras nesta semana é mais um agravante para agricultura, que já enfrenta desafios logísticos e de custos para escoar a safra recorde de grãos 2012/13, disseram representantes ligados ao setor.

ROBERTO SAMORA, Reuters

07 de março de 2013 | 12h39

A agricultura utiliza diesel em todas as etapas de produção, desde a preparação do solo até a colheita e o transporte da mercadoria, e seus custos são atrelados ao preço do combustível.

Na última terça-feira, a Petrobras anunciou um reajuste de 5 por cento no preço do diesel nas refinarias, no quarto aumento de preço desde meados de 2012.

"Provavelmente, deveremos ter maior pressão nos preços dos fretes por conta da alta do diesel", disse a superintendente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rosemeire dos Santos.

Mesmo excluindo o custo do frete, Rosemeire calcula que as despesas operacionais no campo devem subir 0,5 por cento por conta do reajuste.

Nos cálculos da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o reajuste do diesel --item de maior peso para a operação das transportadoras-- resultará em alta de 1,25 por cento no custo do frete de cargas transportadas por caminhões no Brasil.

PATAMAR ELEVADO DEVE EVITAR ALTA FORTE

Com a pressão para escoar uma safra recorde, os preços do frete rodoviário desde o Mato Grosso até os portos do Sul e do Sudeste já estão em máximas históricas, acima de 300 reais por tonelada, segundo a corretora Centrogrãos, que não vê muito espaço para reajustes expressivos.

É justamente o já alto custo do transporte de produtos que pode impedir um impacto maior do aumento do diesel.

"O nosso frete já está pela hora da morte, pelos apagões logísticos... temos problemas nas estradas, portos entupidos..." Não vai ter um efeito tão grande (a alta do diesel), porque o frete já está tão inflacionado", disse o diretor do Centrogrãos, João Birkhan.

Em relação ao pico de preço registrado em 2012, o frete entre o Estado do Mato Grosso, principal produtor de soja do país, e os portos na costa brasileira está 40 por cento mais caro.

Para o presidente da Associação Brasileira de Transporte Logística e de Carga (ABCT), Newton Gibson, é preciso levar em conta que, seja qual for o impacto da alta do preço do diesel, ele vem se somar a outros custos, como os decorrentes de estradas em condições bastante ruins.

O efeito da pressão dos custos só não é maior sobre os agricultores porque os produtos estão sendo vendidos a preços historicamente elevados, após a quebra da safra nos Estados Unidos no ano passado, o que evita, por ora, que as margens de lucro caiam ainda mais.

(Com reportagem adicional de Fabíola Gomes)

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