Reajuste mínimo oferecido empata com inflação

Docentes que receberem o aumento máximo terão ganhos reais, mas, de acordo com sindicato, eles são 10% do total

SÍLVIO GUEDES CRESPO, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2012 | 03h05

A proposta mínima de reajuste feita pelo governo para professores das universidades federais, a ser implementada até 2015, permite apenas que os docentes não percam poder de compra, segundo cálculos do analista Étore Sanchez, da LCA Consultores, feitos a pedido do Estado. O governo está oferecendo um aumento que varia entre 25% e 40%, a ser concedido ao longo de três anos, começando em março de 2013 e terminando no mesmo mês de 2015.

Somando a proposta do governo com o aumento de 4% já concedido a partir de maio deste ano, o reajuste total ficará entre 30% e 45,6% até 2015.

O porcentual mais baixo está praticamente empatado com a inflação acumulada no período que vai de 2010 (quando ocorreu o último reajuste) a 2015, segundo projeção da LCA.

A consultoria espera que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação, acumulará alta de 31% no período.

No entanto, o Andes, sindicato que reúne professores universitários, toma como referência outro indicador de preços, o do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que aponta uma inflação de mais de 35% de 2010 a 2015.

Com isso, o porcentual mais baixo de reajuste provocaria uma perda real de 8% nos salários, nas contas do sindicato.

De outro lado, o governo trabalha com projeções de inflação mais otimistas que a LCA e o sindicato e vê um ganho real de 3,29% pelo reajuste menor. O Ministério da Educação espera uma alta de 21% do IPCA entre 2010 e 2015.

A taxa mais baixa de reajuste, de 30%, será aplicada a cerca de 30% dos professores, a maioria deles composta por mestres, auxiliares e assistentes.

O reajuste máximo, de 45,6%, será para os professores titulares, que são cerca de 10% do total. Essa categoria terá ganho real tanto pelos cálculos do governo como pelos da LCA e do Andes. Os demais 40% dos docentes terão taxas intermediárias de aumento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.