AFP PHOTO/ ANATOLII STEPANOV
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Rebeldes dizem que cessar-fogo na Ucrânia não vale para cidade cercada

Os rebeldes na Ucrânia ignoravam neste domingo a trégua que passara a vigorar horas antes, dizendo que não valia para a cidade onde a maioria dos combates tem ocorrido na últimas semanas.

ANTON ZVEREV E GLEB GARANICH, REUTERS

15 Fevereiro 2015 | 18h20

As armas se silenciaram de forma abrupta à meia-noite de domingo na maior parte do leste da Ucrânia, de acordo com o cessar-fogo negociado durante uma semana de negociações lideradas pela França e a Alemanha.

Contudo, rebeldes pró-Rússia anunciaram que não iriam fazer trégua em Debaltseve, onde os militares ucranianos estão cercados e, segundo Kiev, os ataques rebeldes aumentaram a partir da tarde deste domingo.

"Claro que podemos abrir fogo (em Debaltseve). É nosso território”, disse Eduardo Basurin, comandante rebelde, à Reuters. “O território é interno: nosso. E interno é interno. Mas na linha da confrontação não há tiros.”

Um comunicado militar de Kiev, na noite deste domingo, informa que o “inimigo” estava realizando ataques com vários tipos de armas, incluindo foguetes, e tinha um plano de tentar tomar Debaltseve do oeste.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, disse numa conversa telefônica com os líderes da Alemanha, da França e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que a posição de todos nas negociações de paz na semana passada havia sido por um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo Debaltseve.

Poroshenko enfatizou que a retirada de equipamento militar e armamento pesado requer um “cessar-fogo total e incondicional”, segundo a sua assessoria de imprensa.

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, responsável por monitorar a trégua, disse que os rebeldes negaram o acesso dos observadores a Debaltseve.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse na quinta-feira que o acordo para o cessar-fogo deveria ser implementado de forma incondicional, mas não fez menção sobre Debaltseve, se Moscou acreditava que a trégua valia para o local.

O acordo negociado na semana passada prevê a criação de uma zona intermediária entre os dois lados e a retirada de armamento pesado. Mais de 5.000 pessoas já morreram no conflito, que causa a pior crise entre a Rússia e o Ocidente desde a Guerra Fria.

(Reportagem adicional de Alessandra Prentice, Serhiy Karazy e Pavel Polityuk)

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