Rebeldes filipinos ameaçam operações em minas do país

Rebeldes maoístas nas Filipinas estão exigindo que os mineradores indenizem comunidades e protejam o meio ambiente e ameaçam atacar e paralisar as operações, afirmou neste domingo um porta-voz dos guerrilheiros.

MANNY MOGATO, REUTERS

26 de dezembro de 2010 | 11h45

As Filipinas possuem depósitos minerais em todo o arquipélago, estimados no valor de um trilhão de dólares, mas a produção é baixa.

O setor foi aberto para concessões estrangeiras após uma lei de 1995, e o governo tem tentado atrair investimentos de fora do país, mas os ataques rebeldes e a oposição da Igreja Católica, preocupada com a exploração das comunidades, travaram o desenvolvimento.

"Se tivéssemos apenas a nossa maneira, paralisaríamos todas operações mineradoras no país", afirmou Jorge Madlos, porta-voz do braço político dos rebeldes, a Fronte Democrática Nacional, durante cerimônia que marcou o 42 aniversário da fundação do Partido Comunista das Filipinas.

Os comunistas rebeldes estão ativos em quase todas as 80 províncias do país e frequentemente atacam fazendas, minas, torres de telefonia celular e instalações desse tipo como parte dos esforços para levantar fundos para sua luta.

Madlos afirmou que os rebeldes estão abertos a acordos para concessões a grandes empresas mineradoras, desde que elas respeitem as regras que eles estabeleceram para a proteção do meio ambiente e a ajuda a agricultores, trabalhadores e comunidades.

"O compromisso e a acomodação significa que poderemos taxá-los, mas encerraremos suas operações assim que tivermos capacidade suficiente para executar nossas próprias regras," afirmou Madlos, também conhecido como Ka (Camarada) Oris, na cerimônia realizada em arrozais na província de Surigao del Sur, na ilha de Mindanao.

Os rebeldes atacaram e incendiaram equipamentos em uma mina de ouro e cobre em uma ilha do sul há duas semanas, antes de um cessar-fogo de 19 dias devido ao Natal, e que vai até 3 de janeiro.

Os rebeldes já atacaram várias vezes a mina Tampakan, que vale 5,2 bilhões de dólares e fica em Mindanao. Ela é um projeto da Xstrata Plc e é considerada a mina mais promissora em ouro e cobre no Sudeste Asiático, além de ser o maior investimento estrangeiro na nação.

Rebeldes e governos concordaram e retomar negociações no começo do próximo ano para encontrar uma solução e encerrar mais de 40 anos de conflitos, que já deixaram 40 mil mortos e contiveram o crescimento em regiões rurais no país. As conversas serão realizadas na Noruega.

Milhares de apoiadores dos rebeldes se juntaram pela primeira vez em quase três décadas para comemorar o aniversário, sendo que o cessar-fogo os dá a oportunidade de ir e vir livremente.

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