Rebeldes obrigam moradores a deixar cidade no Congo

Depois de dois dias de combate, cidade de Kiwanja foi tomada por grupo armado.

Da BBC Brasil, BBC

06 Novembro 2008 | 14h06

Rebeldes no leste da República Democrática do Congo obrigaram milhares de civis a deixarem uma cidade que eles tomaram de uma milícia partidária do governo. Os homens liderados pelo general Laurent Nkunda tomaram a cidade de Kiwanja depois de dois dias de combates e deram ordens para que 35 mil pessoas saíssem da cidade para que eles pudessem fazer buscas no local. Kiwanja fica a cerca de 80 km da cidade de Goma, a capital regional. Na cidade, os rebeldes entraram em confronto com as forças Pareco Mai-Mai, formadas principalmente de hutus congoleses. O general Nkunda afirma que estas forças recebem apoio do governo. Segundo um correspondente da BBC que viajou a cidade, testemunhas afirmaram que ocorreram mortes e saques e algumas pessoas ficaram feridas. Dezenas de milhares de pessoas já estão dentro e nos arredores da cidade de Goma, que o líder rebelde ameaçou atacar, apesar de parecer que o cessar-fogo em volta da cidade está sendo mantido. Na semana passada o general Laurent Nkunda havia declarado um cessar-fogo, quando suas forças se aproximavam de Goma. Ruanda Os rebeldes tutsis liderados por Nkunda afirmam que estão lutando para proteger a comunidade tutsi contra os rebeldes hutus que fugiram para o Congo depois do genocídio em Ruanda em 1994. O presidente de Ruanda, Paul Kagame, um tutsi, culpa uma falha na liderança da República Democrática do Congo. Ele também afirmou que a comunidade internacional, incluindo os 17 mil soldados da força de paz da ONU, também não agiu. "O que eles têm feito aqui? Que solução eles trouxeram para o problema? Qual é o resultado dos US$ 1 bilhão que eles gastam todo ano?", questionou Kagame em entrevista à BBC. Kagame deve se reunir com o presidente congolês Joseph Kabila na sexta-feira, no Quênia. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também deve participar do encontro. Mas, segundo o correspondente da BBC Grant Ferrett, o líder rebelde Laurent Nkunda não deve ser convidado para a reunião e, sem ele, a eficácia do encontro está em dúvida. Fugitivos Pelo menos 250 mil pessoas abandonaram suas casas em meio aos combates, e muitas mulheres e crianças estavam entre os que foram obrigados a deixar Kiwanja na quarta-feira. Os soldados das tropas de paz da ONU em Goma receberam ordens de disparar contra qualquer grupo armado que tente entrar na cidade. Os combates em Kiwanja obrigaram funcionários de agências humanitárias a suspenderem suas atividades um dia depois de conseguir levar o primeiro comboio com alimentos ao território dos rebeldes. O general Nkunda ameaça derrubar o governo da República Democrática do Congo em Kinshasa, 1.580 km a oeste de Goma, a menos que o presidente Joseph Kabila concorde com negociações diretas. Nkunda afirma que suas forças agora estão livres para continuar com sua ofensiva e acusou o governo de desrespeitar o cessar-fogo. O correspondente da BBC em Goma Peter Greste disse que o general rebelde pode estar confiante demais, uma vez que é difícil imaginar como Nkunda transportaria entre seis e sete mil homens para o outro lado de um país de grandes proporções. Mas Greste acrescenta que as forças rebeldes parecem capazes de tomar Goma. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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