Rebeldes sírios dão ultimato a ditador após descoberta de novas execuções

O anúncio foi emitido depois que observadores da ONU relataram ter encontrado 13 corpos amarrados e baleados no leste do país; cessar-fogo tem sido violado pelos dois lados do conflito

Dominic Evans, da Reuters

30 Maio 2012 | 17h54

BEIRUTE - Rebeldes sírios deram nesta quarta-feira 48 horas para que o presidente Bashar al-Assad cumpra um plano de paz internacional, ou do contrário planejam retomar sua batalha para derrubá-lo.

O ultimato foi emitido depois que observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) relataram a descoberta de 13 corpos amarrados e baleados no leste da Síria, ampliando a indignação mundial pelo massacre de 108 homens, mulheres e crianças na semana passada.

Os novos fatos ilustram como o plano de paz mediado pelo enviado internacional Kofi Annan foi incapaz de conter a violência que já dura 14 meses, ou levar governo e oposição para a mesa de negociação.

O coronel Qassim Saadeddine, do Exército Sírio Livre, disse que a cúpula desse grupo rebelde deu até 6h de sexta-feira (hora de Brasília) para que Assad implemente o plano de paz, que inclui um cessar-fogo, a presença de monitores estrangeiros e livre acesso para jornalistas e agentes humanitários.

Do contrário, disse ele em redes sociais, "estaremos livres de qualquer compromisso e vamos defender e proteger os civis, suas aldeias e cidades".

Um tênue cessar-fogo implantado em 12 de abril tem sido sistematicamente violado pela oposição e principalmente pelas forças de Assad, segundo monitores da ONU.

A indignação com o massacre de sexta-feira na localidade de Houla levou vários países ocidentais a expulsar diplomatas sírios na terça-feira, além de pressionar Rússia e China a permitir ações firmes do Conselho de Segurança da ONU contra Assad.

O major-general norueguês Robert Mood, chefe da missão de observadores, disse que 13 cadáveres encontrados nesta quarta-feira em Assukar, cerca de 50 quilômetros a leste de Deir al-Zor, tinham as mãos atadas às costas, e alguns haviam sido alvejados na cabeça à queima-roupa.

Mood qualificou as novas mortes com um "ato apavorante e indesculpável", e fez um apelo a todas as facções para que encerrem o ciclo de violência. Ele não apontou culpados, mas ativistas sírios disseram que as vítimas eram militares desertores abatidos pelas forças do governo.

O governo, por sua vez, negou qualquer responsabilidade e atribuiu as mortes a "terroristas", termo que as autoridades costumam usar para descrever as forças rebeldes.

Um vídeo divulgado por ativistas na Internet mostrou os corpos de bruços, com as mãos atadas às costas, e com manchas escuras de sangue ao redor das cabeças e troncos.

A ONU estima que as forças de Assad já tenham matado pelo menos 7.500 pessoas desde o início da rebelião, que é parte da chamada Primavera Árabe. O governo, que se diz vítima de terroristas patrocinados por governos estrangeiros, afirma que mais de 2.600 soldados e agentes de segurança foram mortos no período.

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